Frenquência modulada para notícias

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A transformação das rádios AM em FM é mudança necessária e inevitável de sobrevivência.

As duas emissoras, Rádio Bebedouro e Rádio Nova, a partir deste ano, começam o processo de mudança de equipamentos de transmissão AM para FM. A transformação é autorizada pelo Ministério das Comunicações e atende reivindicação antiga dos proprietários de emissoras de ondas médias.
Até a metade do século passado, principalmente, entre as décadas de 40 e 60, as rádios AM eram os principais veículos de comunicação, ao lado dos jornais impressos.
Para os mais jovens parece inimaginável, mas pessoas sentavam-se nas salas para acompanhar as rádio-novelas e as transmissões de jogos de futebol e ouvir pronunciamentos políticos. Inclusive, a maior qualidade do candidato de outrora, não era a beleza, mas a oratória. Haviam mestres como Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Carlos Lacerda.
Com a chegada das emissoras de televisão, houve apressados que decretaram o fim das emissoras de rádio. Não aconteceu. Quando vieram as rádios FM, também previram a extinção das emissoras AM, e não aconteceu.
Tanto que as principais emissoras de rádio de São Paulo são, CBN e Band News, especializadas em transmitir notícias 24 horas, característica própria de AM. Há também rádios FM que transmitem jogos de futebol, em busca de maiores audiências.
O que complicou o cenário das rádios AM, foi o fato da maioria dos rádios fabricados nas últimas duas décadas, sintonizarem apenas frequência modulada. É também o caso dos celulares, hoje usados para também sintonizar rádios.
No interior de São Paulo, há espaço no dial para sintonizar as emissoras AM em FM. Serão trocados equipamentos de transmissão, mas internamente, nos estúdios, boa parte têm condições de aderir com qualidade de som.
Porém, AM ou FM, continua sendo obrigatória a responsabilidade da transmissão de notícias. Inegável que há emissoras em posse de políticos, mas a informação deve ser divulgada com imparcialidade, sempre ouvindo todos os envolvidos. Tão perigoso quanto divulgar boatos por redes sociais é fazê-lo por emissoras de rádio, com o agravante de atingir mais gente. E depois de feito o dano, não há como reparar.
Que nesta migração de AM para FM, as emissoras de rádio sigam o exemplo do jornalismo impresso, investindo em recursos humanos onde o profissionalismo e contratação de formados seja a tônica, dando prioridade àqueles que estudaram ética e têm consciência de sua responsabilidade social.

Publicado na edição nº 9644, dos dias 11, 12 e 13 de janeiro de 2013.