Governar é uma eterna prova de revezamento

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Problemas surgem todos os dias e nem sempre as soluções aparecem na mesma velocidade.

No mês passado, durante cerimônia de inauguração do alojamento dos pilotos do Aeroclube de Bebedouro, o ex-prefeito Sérgio Stamato em seu discurso como patrono exemplificou como é antiga a infantilidade politica. Ele tinha construído o 1º aeroporto da cidade, enquanto prefeito. Terminada sua gestão, o novo prefeito, seu adversário político, resolveu construir casas populares no lugar. De forma perversa a população foi colocada no meio da briga partidária.
Passado o episódio, Sérgio Stamato resolveu relevar o caso, para construir, em uma nova e mais ampla área, o atual Aeroporto Municipal. É bem provável que seu adversário político tenha argumentado que, se não fosse sua atitude, a cidade não teria local adequado para pouso de aeronaves.
O mais interessante é notar que o bairro construído em cima do antigo aeroporto, não teve sequer planejamento urbanístico, porque se assim fosse, haveria quantidade de galerias pluviais suficiente para conter as constantes inundações sofridas nas proximidades do Centro Social Tancredo de Almeida Neves.
O que faltou, nestas últimas quatro décadas de história de Bebedouro, foi a continuidade dos projetos. Cada prefeito eleito quis inventar a roda, na obsessão por deixar sua marca. O resultado é uma cidade com quase tudo pela metade.
O fechamento da EBTU e o fim repentino do serviço de transporte coletivo é resultado da falta de contrato de concessão, com cláusulas que obrigariam a empresa a manter a prestação de serviço até que contratada assumisse ou que terminasse a concorrência pública. Enquanto políticos brigavam, ninguém teve capacidade para propor o óbvio, mesmo com esta vertiginosa alternância no poder em Bebedouro.
Se a cidade mantivesse a mentalidade política revanchista de outrora, a verba para a construção de um novo centro cultural, solicitada na administração passada, agora seria desprezada, porque isto supostamente favoreceria o adversário. Parece que a falta de maturidade administrativa e responsabilidade social não devem ser marcas da atual gestão. Torcemos por isso.
Não só o atual prefeito, mas os demais que governarão a cidade nas próximas décadas, vão passar mais tempo corrigindo erros das décadas de birra política, do que investindo no crescimento do município.
O que faltou no passado, deve ser regra no presente e no futuro: a consciência de que políticos são eleitos por tempo determinado, quatro anos ou o dobro disso, para usarem seus talentos em favor da cidade.

 

Publicado na edição n° 9525, dos dias 21 e 22 de março de 2013.