Iniciativa privada compromete-se com produção e distribuição de oxigênio

Fornecedores asseguraram fornecimento para leitos já habilitados. Estado pede apoio de empresas privadas para ampliar o fornecimento e garantir abertura de novos leitos.

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Mudanças - Vice-governador Rodrigo Garcia preside as coletivas às segundas e sextas-feiras, enquanto João Doria atende aos jornalistas apenas às quartas, juntamente com a executiva estadual. (Divulgação/Governo do Estado de SP)

Após reunião virtual com fornecedores de gases hospitalares e empresas que podem contribuir com a produção logística de oxigênio no Estado de São Paulo, a cervejaria Ambev firmou compromisso com o governo estadual da instalação de usina para abastecer hospitais e unidades de saúde públicas.
A cervejaria montará, no prazo de 10 dias, usina exclusivamente dedicada ao envase de oxigênio em Ribeirão Preto, para fornecimento gratuito ao setor público de saúde, em especial hospitais municipais. A fábrica terá capacidade para fornecer oxigênio para 166 pessoas por dia e deverá começar as primeiras entregas em abril.
Segundo o governo estadual, a iniciativa garantirá o fornecimento do gás hospitalar e dos cilindros necessários para a criação de novos leitos. Para os já existentes, os fornecedores asseguraram o fornecimento, sem riscos de desabastecimento.
“Na reunião, as empresas que fornecem gases hospitalares no Estado de São Paulo informaram que honrarão os contratos vigentes, inclusive considerando a ampliação já realizada na estrutura hospitalar em razão da abertura dos novos leitos para atendimento dos pacientes com Covid-19. O desafio é atender à nova demanda de oxigênio para abastecer os leitos adicionais previstos para os próximos dias”, explicou em coletiva de imprensa, o vice-governador Rodrigo Garcia, na segunda-feira (22).
Os hospitais estaduais possuem usina própria ou grandes tanques de oxigênio que realizam o atendimento da maior parte dos pacientes. Já UPAs, UBSs e hospitais de cidades de pequeno porte, em geral possuem estruturas menores e dependem da utilização de cilindros, que estão escassos em todo o país.
“Estamos fazendo um grande chamamento ao setor privado, para que aqueles que possuem cilindros de oxigênio possam doar ou emprestar para o Estado. O objetivo é atender a todos os municípios que precisam de oxigênio o mais rápido possível”, ressaltou o presidente da InvestSP, Wilson Mello.
A Copagaz também se comprometeu a realizar a adaptação da frota, já utilizada no transporte de botijões de gás, para a distribuição dos cilindros que forem doados, assim como para a logística de abastecimento das unidades de saúde. O acordo de disponibilização da frota também será realizado sem custos para Estado e municípios.

Leitos São Paulo
O Governo de São Paulo voltou a cobrar, na segunda-feira (22), que o Ministério da Saúde cumpra determinação do STF para custear a totalidade de leitos de UTI ativados na pandemia para pacientes graves com Covid-19.
Mesmo com a decisão favorável, na última semana, o Estado recebeu apenas o equivalente a 20% dos repasses ainda pendente do Ministério da Saúde para completar o financiamento dos leitos ativos no primeiro trimestre.
“O governo federal tem deixado Estados e municípios brasileiros numa situação asfixiante. O Governo Federal é ausente, seja no oxigênio ou no financiamento de UTIs, e isso ele faz de maneira deliberada. É uma negação ao SUS o que estamos vivendo sobre o financiamento federal de leitos em São Paulo”, afirmou Garcia aos jornalistas, mencionando que “com a ausência do governo federal, o déficit para o SUS de São Paulo ultrapassa R$ 381 milhões entre janeiro e março para manter o atendimento em UTIs”.
Em 27 de fevereiro, o STF decidiu que o Ministério da Saúde deveria repassar R$ 245 milhões mensais ao Governo do Estado para manutenção dos leitos. Hoje, estão habilitados no Estado de São Paulo pelo Ministério de Saúde 3.190 leitos de UTI Covid-19, dos 5.112 ativados até o início do ano.

Publicado na edição 10.565 de 24 a 26 de março de 2021.