Joe Biden e o agronegócio brasileiro

José Mário Neves David

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A vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial dos EUA deve impactar as relações geopolíticas, diplomáticas e econômicas daquele País com o Brasil, e um dos setores que demanda maior atenção é o agronegócio.
Na pauta ambiental, a alternância do poder nos EUA representa, ao mesmo tempo, risco e oportunidade ao agronegócio brasileiro.
Risco, pois o retorno dos EUA ao Acordo de Paris deve pressionar a adoção, pelo Brasil, de maior controle sobre o desmatamento ilegal e a regularização fundiária, temas que, caso não enfrentados, poderão ensejar represálias diplomáticas e econômicas, afetando profundamente o agronegócio brasileiro, especialmente a pecuária.
Por outro lado, a oportunidade ao agronegócio brasileiro reside no possível fomento, não apenas dos EUA como também da União Europeia, com o apoio do gigante da América do Norte, à adoção de mecanismos socioambientais responsáveis, tais como a energia renovável e limpa da cana-de-açúcar e de oleaginosas, setores em que o agronegócio brasileiro é forte e pode, com bons incentivos locais, se fortalecer ainda mais e assumir posição de protagonismo.
No mais, a ascensão de Joe Biden ao poder deve facilitar novos acordos comerciais multilaterais, o que em muito pode favorecer o Brasil, ainda que haja acordo também entre os EUA e a China. Aguardemos os próximos capítulos.

(Colaboração de José Mário Neves David, advogado. jd@josedavid.net).

 

Publicado na edição nº 10533, de 13 a 17 de novembro de 2020.