Leia cada vez mais

José Renato Nalini

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Ler é o melhor remédio. Para tudo. Para esquecer as mazelas do Brasil contemporâneo. Para se distrair. Para aprender. Não existe aprendizado útil sem leitura.

Uma das pequenas angústias que me atormentam de quando em vez é a impossibilidade de ler todos os livros que gostaria. E de reler outros que me influenciaram na trajetória e na formação de um pensamento que ainda me serve para tudo. Somos o fruto de nossas leituras.

Um exemplo: por que os Estados Unidos perdem a liderança mundial? Eles já foram um país que construía ideias, inovações, fórmulas de bem viver. Hoje o fanatismo ultraconservador tornou os americanos reacionários. Isso porque eles desconfiam do poder e daqueles que o exercem. Isso se aprende lendo o livro “Por que não trabalhar? Quem matou o progresso”, de Marc J. Dunkelman.

Outro aprendizado: a Índia. Estes dias celebramos 77 anos de sua independência. Depois de sua independência, ela empreendeu quatro grandes transformações de desenvolvimento: reconstruir o Estado, forjar uma nação, desenvolver a economia e transformar a sociedade. Para saber mais, ler “Um Sexto da Humanidade: a Odisseia do desenvolvimento da Índia independente”, de Devesh Kapur e Avvind Subramanian.

Outra lição a se extrair do livro “1929: a história íntima do Grande Crash na História de Wall Street”, de Andrew Ross Sorkin. Ele narra a vida dos protagonistas da crise que afetou o Brasil. Quantos fazendeiros de café perderam a fortuna e condenaram seus descendentes a uma vida ociosa de celebração das glórias do passado, mas sem dinheiro e sem contribuir para o progresso brasileiro. O crash de 1929 poderia ter sido evitado. Mas, talvez por falta de leitura, nós mergulhamos nele.

Vejam: foram apenas três livros. Mas a sua leitura amplia nossos horizontes. Portanto, é ler. Ler mais e ler continuamente. E quando ficar cansado, distrair-se lendo…

Quem não lê não sabe falar, não sabe pensar, não sabe enfrentar as dificuldades. Não basta ser formalmente alfabetizado: é preciso ler. Ler todos os dias. Todas as horas. Pois a vida é breve. Daqui a pouco não haverá mais tempo…

 

O que será do mundo?

O cenário geopolítico do planeta é complexo e confuso. Democracias hegemônicas do Ocidente se rendem ao autoritarismo. Ascendem econômica e cientificamente gigantes asiáticos tais como Índia e China. O que esperar para as próximas décadas?

Vince Cable, num livro em que ele fala do oeste global a eclipsar a realidade, sugere três cenários futuros. Fala em um Ocidente global democrático a enfrentar adversários autocráticos. Ou em mundo multipolar, com China e Índia em ascensão e sem hegemonia e um mundo multilateral.

Quanto a nós, só podemos torcer. Não está em nossas mãos manejar as chaves das mudanças, concentradas em algumas das mentes menos equilibradas de nossa contemporaneidade. O que sabemos é que as mudanças climáticas se imporão, a despeito da vontade de líderes transitórios. “Sic transit gloria mundi”: tudo passa. Só Deus não passa, dizia Santa Teresa D’Ávila, a “Teresona”, que não é nossa Terezinha Martin, a santinha de Lisieux, que morreu quase menina e que é, assim como “Teresona”, Doutora da Igreja.

Também podemos orar. A oração é ingrediente valioso para desarmar as mentes mais agressivas. É preciso acreditar na energia natural que envolve as pessoas quando pensam com fé em alguma causa. Independentemente da confissão religiosa ou da falta de crença, focar pessoas nos propósitos da consciência produz efeitos que pareceriam milagrosos, mas são respostas científicas para as potencialidades da mente humana.

Acreditar nas pessoas é a alternativa à violência. Violência que não é só aquela resposta cruenta às provocações, mas a violência disfarçada na escassez. Escassez de água, escassez de recursos, escassez de bom senso. Necessitamos todos de uma abundância de bons pensamentos, de empatia, de vontade de tornar o mundo um lugar de harmonia e convívio fraterno.

Talvez sejamos impotentes para transformar o mundo inteiro, só com a nossa atuação e com as nossas preces. Mas se conseguirmos convencer alguém mais de que a solução está no afeto, sem dúvida melhoraremos alguma coisa desta confusa e complexa situação em que os compromissos são desrespeitados, acordos descumpridos e se instaura o “salve-se quem puder”!.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).

Publicado na edição 11.019, quarta, quinta e sexta-feira, 15, 16 e 17 de julho de 2026 – Ano 102