Leilão de Pepro, o Bolsa Família dos citricultores?

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O que deveria ser transitório tornou-se permanente, fruto da falta de política pública e coragem do governo federal.

O ato do Ministério da Agricultura de comprar produção dos citricultores, através dos Leilões de Pepro, deveria ser uma das medidas de fortalecimento da citricultura, mas tornou-se a única.
Basta consultar os arquivos da Gazeta para descobrir que desde o final da década de 60, os produtores de laranja clamam por interferência governamental no setor, para deter a concentração de poder das indústrias e proteger os citricultores. Havia até quem defendesse que o SNI, serviço secreto, no período do governo militar, investigasse a suspeita de cartel dos contratos.
A Polícia Federal apreendeu documentos na Operação Fanta exatamente para investigar a suspeita, há julgamento em andamento no Cade, mas até agora nada de concreto ocorreu que mudasse efetivamente a realidade.
Não é exagero comparar os Leilões de Pepro ao Bolsa Família, porque as duas iniciativas governamentais nasceram como transitórias, e veem se transformando em permanentes por falta de coragem política.
Criado na década de 90, como forma de auxiliar famílias em situação de miséria, o Bolsa Família perpetuou-se como única medida de combate à fome e não promove desenvolvimento nem econômico, sequer social dos atendidos.
Os Leilões de Pepro surgiram para ajudar os citricultores em ano de crise, enquanto o governo federal iria buscar formas de garantir remuneração digna a produtores da fruta, mas passado o tempo, exceto pelas inúmeras reuniões, não houve avanço significativo.
Como estamos em ano eleitoral, seria oportuno que os citricultores se organizassem para dois atos concretos: sabatinar os candidatos a presidente para saber qual o entendimento e quais as medidas que poderão ser adotadas; e escolher candidatos à Câmara Federal e ao Senado comprometidos com a causa.
Senão, há sérios riscos, do dia para noite, o governo federal, sob alegação de caixa baixo, cancelar os leilões de compra da fruta e desejar boa sorte a todos.
Ao contrário do setor sucroalcooleiro, a citricultura nunca precisou de um centavo governamental, porque o mercado nunca foi subvencionado. Aliás, ao contrário, sempre contribuindo e muito para a balança comercial, com dividendos em exportação e farto recolhimento de tributos. Portanto, ouvir os citricultores e interceder no processo não é mais do que obrigação.

Publicado na edição nº 9720, dos dias 17 e 18 julho de 2014.