Meu nome é Waldinho

Dymiro Vita

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Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com atuação em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente como consultor técnico

A minha família se mudou de Orlândia para Bebedouro em julho de 1960. Eu sou o terceiro filho com uma diferença de 14 anos para meu irmão Paulo Sérgio e 12 anos para minha irmã Ângela. Portanto um supertemporão. Desde quando eu nasci me chamam de Waldinho. Primeiro porque Waldomiro era o nome do meu pai e depois porque não ficava muito bom fazer o diminutivo de Waldomiro. Minha mãe foi transferida de Orlândia e começou a dar aulas no Grupo Escolar Conrado Caldeira. Me matriculou em 1961 no Jardim da Infância  também no mesmo grupo escolar. No primeiro dia de aula a professora Cacilda Caputo fez a chamada oral. Eu não respondi. Ela disse: “o seu nome é Waldomiro”. “Por que não respondeu”? Eu disse que meu nome é Waldinho. Waldomiro é o nome do meu pai. Ela insistiu e eu fiquei muito aborrecido e até traumatizado em saber daquilo. Ao voltar pra casa eu perguntei pra minha mãe Olga Kfouri de Almeida: “Meu nome não é Waldinho? É Waldomiro? Aí ela explicou tudo. Mas para minha alegria continuaram me chamando de Waldinho.

O “Tumor” da Dona Olga

O meu pai Waldomiro Almeida e a minha mãe Olga Kfouri de Almeida se conheceram e se casaram em Bebedouro em 1936. Meu pai assumiu, como Serventuário da Justiça, o Cartório da cidade de Monte Azul Paulista (cerca de 19 km de Bebedouro) e se mudaram para lá.  Minha mãe, por sua vez, formada em Magistério pela primeira turma do Colégio Anjo da Guarda e professora primária em Bebedouro, conseguiu uma transferência e começou a lecionar na nova cidade. Em Monte Azul Paulista tiveram os filhos Paulo Sérgio de Almeida, em 1941, e Ângela Rosa de Almeida, em 1943. Em meados da década de 1940, meu pai assume o Cartório de Orlândia, cidade do interior de São Paulo, próxima de Ribeirão Preto, e toda família se muda para lá. O Cartório ficava na parte da frente da casa e nós morávamos na parte dos fundos, onde também tinha um enorme quintal. Meu irmão conta no seu livro de crônicas “Coisas e Causos da Advocacia” algumas passagens acontecidas neste cartório. Meu pai tinha uma atividade social intensa em Orlândia. Conhecia bastante gente. Estava envolvido com Maçonaria, Rotary Clube, o Clube Recreativo da cidade, o time de futebol do Orlândia, Carnaval, política local, bailes, festas e campanhas beneficentes. Minha mãe lecionava em um grupo escolar. Tudo corria muito bem. Até que num certo dia minha mãe reclamou para meu pai que a barriga dela estava crescendo e poderia ser um tumor. O vizinho da casa ao lado da nossa era um médico muito amigo da nossa família. Foram fazer uma consulta com ele. Minha mãe toda chorosa e preocupada. O médico examinou minha mãe, pediu também que ela fizesse um exame de urina e depois retornasse. Meu pai foi acompanhando minha mãe no retorno ao médico. Entra o médico na sala dando risada. Minha mãe que já estava no desespero disse: “Dr, eu estou com um tumor e o sr fica dando risada!” O médico, ainda dando risada, prontamente disse: “A sra não tem tumor nenhum. A sra está grávida”.  Meu pai e minha mãe quase desabaram em lágrimas de alívio e de alegria. Minha mãe à época tinha 41 anos. Devido à gravidez de alto risco, recomendaram que o parto fosse feito em um hospital de Ribeirão Preto, que tinha mais recursos médicos, mas ficava distante cerca de 57 km de Orlândia. Foi assim que na madrugada fria de 25 de julho de 1955, “o tumor foi extirpado”, isto é, nascia o filho temporão com uma diferença de idade de 14 anos para meu irmão Paulo Sérgio de Almeida e de 12 anos para minha irmã Ângela Rosa de Almeida. Passava uma temporada na minha casa em Orlândia, minha prima Leyla Kfouri, que quem foi que me deu o meu primeiro banho. Histórias reais vividas que ficam arquivadas na memória.

(Colaboração de Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com atuação em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente como consultor técnico).

Publicado na edição 11.026, quarta, quinta e sexta-feira, 19, 20 e 21 de agosto de 2026 – Ano 102