Modernização Urbana em Bebedouro: construção do Anel Viário

José Pedro Toniosso

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Em 3 de maio de 1981, na inauguração da avenida Hércules Pereira Hortal (último trecho construído do anel viário), o homenageado e ex-prefeito recebe afetuoso abraço do então prefeito Hélio de Almeida Bastos, sob o olhar do público presente. Foto: acervo do autor

No início dos anos 1970, a cidade de Bebedouro já apresentava uma configuração bastante diferente das décadas anteriores, em decorrência das mudanças proporcionadas pela expansão da citricultura.

A população urbana aumentara significativamente, enquanto a da zona rural sofrera considerável redução e, com isso, tinham surgido novos bairros como Paraíso, Ciranda, Cruzeiro do Sul, Marajá, Esplanada, Vila Lourdes, Vila Elizabeth, entre outros.

Entre outras mudanças, destacou-se o crescimento da frota de veículos e do fluxo destes nas ruas, principalmente na região central, onde havia concentração do comércio, e desta para as periferias, onde se localizavam os bairros recém-surgidos e as indústrias.

Foi neste contexto que surgiu o projeto para construção de um anel viário, que possibilitaria a interligação entre os vários setores da cidade sem a necessidade de cruzar a região central. O traçado circular facilitaria o deslocamento e, ao mesmo tempo, reduziria os congestionamentos no centro.

Formado por diversas avenidas, o anel viário incluiu algumas já existentes, como a avenida Sérgio Sessa Stamato, que fora inaugurada em 1968 como parte do projeto de revitalização que incluiu o lago artificial e novas praças.

Já no início da década seguinte, a retirada dos trilhos da estrada de ferro em direção ao distrito de Botafogo e à cidade de Monte Azul Paulista permitiu que no antigo leito fosse implantada uma nova avenida, a Dr. Pedro Paschoal, localizada na parte alta da urbe e que fazia a ligação entre as regiões leste e oeste.

A reforma da avenida dos Antunes, em frente à estação ferroviária, inaugurada em 1978, possibilitou sua integração com a avenida Sérgio Sessa Stamato. Na direção oposta, sua ligação com a rua dos Andradas — que passou por alargamento — e, na sequência, com a avenida Quito Stamato, gerou a conexão com a avenida Dr. Pedro Paschoal.

Outras avenidas já existentes, mas que não faziam parte do anel viário, também foram revitalizadas ou construídas, complementando o processo de estruturação viária da cidade, facilitando o escoamento do centro para os bairros e vice-versa. Desta forma, ao lado das avenidas já existentes, como Raul Furquim, Maria Dias, Pedro Hortal e Donina Valadão Furquim, destacou-se também a implantação da avenida Alan Kardec, inaugurada com grande festa em 3 de maio de 1979, data do aniversário da cidade.

Para completar seu traçado circundante à cidade, outras duas avenidas seriam abertas sequencialmente: a primeira, denominada Hélio de Almeida Bastos, permitiu a ligação do trecho da avenida Dr. Pedro Paschoal, desde o cruzamento com a Alan Kardec, onde foi construída uma praça rotatória, até a Pedro Hortal, próximo ao bairro Jardim Três Marias, sendo ali também implantada uma rotatória.

Finalizando a sequência, em 3 de maio de 1981 foi inaugurada a avenida Hércules Pereira Hortal, fazendo a ligação entre a Hélio de Almeida Bastos e a Sérgio Sessa Stamato. Esta região receberia diversos equipamentos públicos, como o Parque Centenário, a Praça Santa Paula Frassinetti, o Sambódromo e outros. Estes atrativos, somados ao Lago Artificial, tornaram o local um conjunto urbanístico voltado para o entretenimento e lazer de bebedourenses e visitantes.

A sequência de homenagens a prefeitos que se destacaram na história local foi quebrada em 2010, com a alteração do nome da avenida Hélio de Almeida Bastos para atender a uma exigência legal. De acordo com a legislação vigente, havia a proibição de denominação de vias em homenagem a pessoas vivas. Anteriormente, contudo, fora feito um acordo para que o nome fosse mantido provisoriamente, desde que o político não se candidatasse a nenhum cargo eletivo. Todavia, por ter lançado sua candidatura a deputado estadual, a Promotoria de Justiça determinou que a Prefeitura Municipal cancelasse a homenagem. Com isso, a via passou a ser denominada avenida Amélia Bernardini Cutrale, nome que permanece desde então.

Importante ressaltar que o projeto do anel viário foi proposto pelo arquiteto João Valente Filho, que por meio dos seus estudos apresentou diversas soluções para a cidade que se encontrava em rápido crescimento nas décadas de 1970 e 1980. Incluem-se entre suas propostas a implantação de vários equipamentos urbanos, como o novo Mercado Municipal e a nova Rodoviária, o Parque Centenário e a revitalização do Lago Artificial, que desde 2011 leva o seu nome.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.043, sábado a terça-feira, 24 a 27 de outubro de 2026 – Ano 102