Cardoso nos deixa sendo exemplo de trabalho, amizade e amor à família

Engenheiro têxtil faleceu aos 76 anos e é lembrado por familiares e amigos como exemplo de caráter, generosidade e dedicação às pessoas.

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Adeus – José Caldeira Cardoso Filho, o Cardoso, faleceu aos 76 anos deixando uma história marcada pela dedicação à família, pela excelência profissional e pelas amizades cultivadas ao longo da vida, sempre com um sorriso no rosto.Foto: Álbum de família

José Caldeira Cardoso Filho faleceu aos 76 anos, no domingo (21), em São Paulo, em decorrência de câncer. O velório foi realizado na segunda-feira (22), na capital paulista, onde foi cremado, reunindo familiares e amigos para as últimas homenagens.

Para familiares, amigos e todos que tiveram o privilégio de conviver com ele, parte um homem cuja presença marcante era sinônimo de acolhimento, amizade e amor à vida. Conhecido carinhosamente como Cardoso, construiu sua vida pautada pelo respeito ao próximo, pela dedicação à família e pelo compromisso com valores que considerava essenciais.

Filho de Sarah Pacheco Cardoso e de José Caldeira Cardoso (Juca Caldeira), Cardoso deixa a esposa Lúcia, os filhos José Caldeira Cardoso Neto, Tiago e Beatriz, além de oito netos, cinco irmãos e uma extensa rede de amigos que hoje guardam lembranças carregadas de afeto.

Vida dedicada ao trabalho e à excelência

Engenheiro mecânico têxtil formado pela FEI, José Caldeira Cardoso Filho construiu uma sólida vida profissional na indústria brasileira. Iniciou sua carreira na Rhodia, depois na Fileppo Têxtil de Itapetininga, quando foi convidado a liderar a abertura da unidade fabril da Vicunha Nordeste, em Fortaleza, onde atuou como diretor por cerca de duas décadas, período em que se tornou referência pela competência, liderança e dedicação ao trabalho.

Em nota de pesar, a Vicunha destacou a relevância de sua contribuição para a história da companhia. “Agradecemos a José Cardoso por seu trabalho e dedicação à Vicunha”. O comunicado também manifestou solidariedade aos familiares. “Com profunda tristeza por essa perda irreparável e em nome de todos nós que fazemos parte da Vicunha, prestamos todas as condolências e apoio necessários aos familiares, desejando-lhes força para suportar este momento difícil”.

O homem que ensinou pelo exemplo

Com os familiares – Rodeado por familiares, Cardoso aparece em registro marcado por afeto, convivência e a presença constante de quem sempre fez da família sua maior prioridade.

Mais do que os cargos que ocupou ou os resultados profissionais que alcançou, Cardoso deixou como principal legado os ensinamentos transmitidos através de suas atitudes.

O filho José Caldeira Cardoso Neto destaca que o pai nunca precisou fazer longos discursos para ensinar valores: “Meu pai nunca foi de dizer simplesmente o que deveria ser feito. Ele ensinava através das atitudes. Era uma pessoa extremamente honesta, correta e íntegra. Nunca precisou ficar repetindo que devíamos agir com honestidade, porque mostrava isso todos os dias na prática”.

Segundo Neto, a forma respeitosa e igualitária com que o pai tratava as pessoas marcou profundamente toda a família: “Ele tratava a todos da mesma maneira, independentemente da condição social. Rico ou pobre, não fazia diferença. Sempre acolhia, ajudava, conversava e fazia amizade com todos. A humildade vinha em primeiro lugar e nada nunca lhe subiu à cabeça”.

O filho acredita que essa convivência moldou o caráter dos irmãos e se tornou a maior herança deixada pelo pai. “Eu, meu irmão e minha irmã fomos formados por esses exemplos. A principal herança que ele nos deixou foi justamente essa: ser amigo dos amigos, tratar todos com respeito, igualdade e generosidade”.

Em um dos momentos mais emocionantes do depoimento, Neto resume o significado do pai em sua vida: “Ele mostrou como fazer, como agir e como ser uma pessoa melhor sem precisar falar muito. Bastava observar suas atitudes. Meu pai é meu herói”.

Respeito, caráter e amor pelas pessoas

Com os familiares – Rodeado por familiares, Cardoso aparece em registro marcado por afeto, convivência e a presença constante de quem sempre fez da família sua maior prioridade.

Para o filho Tiago, os valores deixados pelo pai continuarão presentes nas futuras gerações. “Os valores que ele deixou vão continuar vivos em cada um de nós. O respeito pelas pessoas, independentemente de quem sejam ou de onde venham. A capacidade de ouvir, de conversar e de se interessar genuinamente pela história das pessoas”.

Tiago lembra que o pai lhe ensinou a importância de valorizar a família, os amigos e os momentos simples da vida: “Fica o exemplo de trabalho, de dedicação e de fazer as coisas da maneira certa, sempre buscando ser uma pessoa de bem. Esse talvez seja o maior legado que recebeu do ‘seu Juca’, como dizíamos do meu avô, e que fez questão de transmitir para todos nós: carregar o nome da família com orgulho, honestidade e caráter”.

O filho também ressalta a alegria contagiante que acompanhava Cardoso por onde passava. “O legado dele estará vivo sempre que tratarmos alguém com respeito, sempre que reunirmos a família, sempre que ajudarmos alguém e sempre que escolhermos fazer o bem. É assim que o Cardosão continuará presente na nossa história”.

A alegria de viver ficará na memória

Com os familiares – Rodeado por familiares, Cardoso aparece em registro marcado por afeto, convivência e a presença constante de quem sempre fez da família sua maior prioridade.

A filha Beatriz prefere recordar o pai da forma como ele viveu: cercado pelas pessoas que amava, compartilhando histórias, boas conversas e momentos felizes: “Papai era uma pessoa generosa, otimista, amado e querido por todos. Sempre disposto a ajudar, conversar, bebendo uma cervejinha e comendo bem”.

Bia lembra que o pai tinha personalidade forte e autêntica. “Também era teimoso e de gênio forte, características que também o tornavam esse cara único”.

Apaixonado pela vida, Cardoso encontrava felicidade nas coisas simples: “Amava a vida, a praia, a música, o basquete e o Corinthians. Amava os amigos e a família linda que ele construiu. Vai fazer muita falta”.

Entre as recordações mais carinhosas, Beatriz destaca características que se tornaram marcas registradas do pai: “Com seus óculos, relógios e meias que adorava ter e presentear, e com sua presença forte, vai ser sempre lembrado com festa, choppinho e amor. Muito amor”.

Amor fraternal – Em momento de confraternização familiar, Cardoso ao lado dos irmãos, celebrando laços de união, amizade e histórias compartilhadas ao longo da vida.

Uma vida inteira de amor, cumplicidade e sonhos compartilhados

A esposa Lúcia Fernandes Cardoso prestou homenagem emocionada ao marido ao relembrar os 54 anos de vida ao seu lado. Em seu depoimento, ela destacou a vida construída com amor, parceria e companheirismo, marcada por memórias que, segundo ela, permanecerão vivas para sempre.

“Bem (Cardoso), foram 54 anos de uma vida inteira construída juntos. Uma história de amor, parceria, companheirismo e muitas memórias que levarei comigo para sempre”.

Lúcia ressaltou ainda a família formada pelo casal ao longo da vida: “Tivemos três filhos maravilhosos, que nos deram oito netos, e olhar para essa família é ter a certeza de que tudo valeu a pena”.

Em tom de saudade e gratidão, ela afirma que faria tudo novamente ao lado do companheiro: “Se eu pudesse voltar no tempo e escolher novamente, escolheria você outra vez. Com os mesmos sonhos, os mesmos desafios, as mesmas alegrias, as viagens, as conversas, as conquistas e até os momentos difíceis, porque todos eles fizeram parte da linda história que construímos juntos”.

Ao final, Lúcia agradeceu pela convivência e pelo legado deixado: “Obrigada por dividir a vida comigo, por ser meu companheiro de tantos anos, por tudo o que vivemos e por tudo o que deixamos para nossa família. O amor, os valores e as lembranças que construímos seguirão vivos em nossos filhos, netos e em todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer você”.

Reencontro de emoções e lembranças

Visita à Apae –Cardoso durante visita à Apae, onde foi recebido com afeto por alunos e profissionais da instituição.

Em sua última passagem por Bebedouro, em junho de 2024, ano em que a Gazeta comemorou 100 anos de existência, Cardoso, acompanhado de seus familiares, visitou a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Bebedouro. Na ocasião, ele falou à reportagem sobre a emoção do momento:

“Assim que entramos, senti na pele a presença deles (dos seus pais, Sarah e Juca Caldeira). A emoção é muito grande, passou um filme na minha cabeça. Cresci vivenciando tudo isso. Isso nos deixa até sem fala, pois foi a vida deles vivida aqui dentro. Isso mostra que o mundo de hoje também precisa de pessoas assim”, disse Cardoso, sem conter as lágrimas”.

Na Gazeta– Durante visita à redação da Gazeta, Cardoso orgulhosamente mostra à nora e neto, a foto em que ele aparece, compartilhando com ela o orgulho de ver a família registrada na Gazeta.

Entre saudade e amor fraterno, os irmãos se despedem

“Cinco dias sem você.

Parece que a qualquer momento vou ouvir sua voz ou receber o ‘Fishing News- Informativo diário’ (produzido em Fortaleza).

Aprender a conviver com seu silêncio. Difícil.

Você estará vivo em meu coração.

Vou te amar sempre”.

Ana Lúcia Cardoso Martins Cruz

“Na última vez que conversamos por mensagem, eu perguntei a ele: como você está hoje em relação ao dia de ontem? Ele me respondeu ‘quase “bão”. O ‘quase’ não permitiu que ele continuasse entre nós. Perdê-lo foi como sentir um grande vazio que nos invadiu e nunca mais vai ser preenchido. Nunca mais…”.

Humberto L. Pacheco Cardoso

“A tristeza está batendo muito forte no coração de todos nós. Cardoso foi um grande cara e só espalhou alegria, sorrisos, amizade, por onde passou. Como irmão não podia ser mais presente e amoroso, sempre pronto. Inesquecível nas brincadeiras, nas tiradas engraçadas, nas piadas, nos sorrisos sem miséria. Ao me chamar, ele sempre brincava: ‘fala Sarita da Gazeta’. Só de pensar que não vou mais ouvir isso, choro sem parar…”.

Sarah C. Pacheco Cardoso

“Cardoso, você será sempre ‘meu irmão mais velho’, que trouxe o primeiro neto e perpetuou o nome do papai. Aquele que nos ensinou a falar ‘eu te amo’, no bilhete do amigo secreto – alguém mais lembra? quando ainda nem moda era… rs. De bem com a vida… saboreando os momentos com gosto, assim que vou te levar comigo, com gosto e leveza, transformando a saudade em presença e te ter pra sempre!”

Silvia Pacheco Cardoso

“Ao meu ‘Irmão Cardosão’

Você foi minha primeira referência depois de meu pai e minha mãe.

Você foi o primeiro a me chamar Gangão.

Você foi o “causador” da minha sina santista.

Você foi quem me ensinou a cultivar as amizades

Regadas, sempre, por uma cerveja gelada.

Você foi

Você é,

E sempre será, ‘O Cara’!”

Carlos E. Pacheco Cardoso, o Gão

Publicado na edição 11.015, sábado a terça-feira, 27 a 30 de junho de 2026 – Ano 102