

Cuidar dos filhos, dos pais idosos, da carreira, da casa e, quando possível, de si mesma. Essa é a rotina de muitas mulheres que fazem parte da chamada “geração sanduíche”, termo que define aquelas que assumem simultaneamente a criação dos filhos e os cuidados com pais que envelhecem. Esse acúmulo de responsabilidades, embora seja uma demonstração de amor e dedicação, impõe desafios que afetam a saúde emocional, física e financeira.
No Brasil, mais de 70% dos cuidadores familiares são mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Muitas delas conciliam essa função com o trabalho formal, lidando com uma carga exaustiva e, em muitos casos, invisível. O estresse, a ansiedade e a sobrecarga mental fazem parte do dia a dia, e um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que mulheres da geração sanduíche têm risco 40% maior de desenvolver depressão em comparação com aquelas que não exercem essa dupla função.
O impacto financeiro também é significativo. Para dar conta das responsabilidades, algumas mulheres optam por reduzir a carga de trabalho ou até abandonar suas carreiras, comprometendo sua independência financeira e, futuramente, a aposentadoria. A falta de apoio e políticas públicas voltadas para esse grupo torna a situação ainda mais desafiadora, deixando muitas delas sem alternativas viáveis para equilibrar as demandas familiares e profissionais.
Diante desse cenário, algumas estratégias podem ajudar a aliviar essa sobrecarga. Dividir tarefas entre os familiares, buscar apoio profissional, priorizar momentos de autocuidado e planejar financeiramente o futuro são medidas que fazem a diferença. Ainda assim, é fundamental que a sociedade reconheça essa realidade e que haja mais suporte para essas mulheres, garantindo que cuidar dos outros não significa abrir mão de si mesmas.
Com o aumento da longevidade, os desafios da geração sanduíche tendem a crescer. O papel das mulheres como cuidadoras precisa ser mais valorizado e compartilhado, permitindo que elas possam exercer suas múltiplas funções sem comprometer sua própria saúde e qualidade de vida. Afinal, ser tudo para todos só é possível quando também há espaço para ser tudo para si mesma.
(Colaboração de Bruna Momente Covielo Assunção, cursando Especialização em Gerontologia no Instituto Albert Einstein).
Publicado na edição 10.909, sábado a sexta-feira, 15 a 21 de março de 2025 – Ano 100