Não existe conteúdo para IA: cada plataforma exige estratégia diferente

Marcos Pitta

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A partir da primeira pag

Produzir o mesmo conteúdo para todas as inteligências artificiais e esperar o mesmo resultado pode ser um erro. Google, ChatGPT, Gemini e Perplexity participam cada vez mais da jornada de busca, mas não necessariamente valorizam os mesmos formatos.

 

Dados da HubSpot sobre taxas de citação por tipo de conteúdo deixam essa diferença evidente. Comparativos, por exemplo, alcançam 95% de taxa de citação no ChatGPT, enquanto no AI Overview, do Google, chegam a apenas 24%. Já posts de blog e artigos informativos registram 42% no AI Overview, 69% no ChatGPT, 76% no Gemini e 80% no Perplexity.

Isso não significa que exista formato melhor, mas que cada conteúdo pode cumprir uma função diferente e que o comportamento do usuário muda, conforme a plataforma. No Google, muitas pesquisas partem de necessidade objetiva: entender um assunto, solucionar uma dúvida ou encontrar rapidamente uma informação. Artigos informativos, guias e páginas bem estruturadas atendem bem a esse tipo de intenção.

Em ferramentas conversacionais, a jornada pode avançar por várias perguntas. O usuário pede alternativas, estabelece critérios, compara opções e procura apoio para tomar sua decisão. Isso ajuda a explicar por que, no ChatGPT, comparativos chegam a 95%, conteúdos de PR a 92% e avaliações de usuários a 90%.

A consequência para quem trabalha com conteúdo é importante. Já não basta perguntar qual palavra-chave queremos posicionar. Precisamos pensar onde queremos ser encontrados, para qual pergunta e em qual momento da jornada.

Um artigo informativo pode construir autoridade temática. Comparativos ajudam quem avalia alternativas. Avaliações oferecem validação. Documentações demonstram conhecimento técnico. Listagens organizam opções e conteúdos de relações públicas  e ampliam sinais de autoridade.

Esses formatos podem integrar uma mesma estratégia. Em vez de publicar vários artigos semelhantes, a empresa pode criar um conteúdo principal sobre determinado assunto e complementá-lo com comparações, documentações e materiais que comprovem sua experiência.

Essa mudança ganha importância porque conquistar a primeira posição no Google já não representa toda a visibilidade possível. Ser encontrado também pode significar ser citado em uma resposta gerada por IA.

E produzir mais não significa aparecer mais. A inteligência artificial facilitou a criação de conteúdo em escala, mas volume sem estratégia apenas multiplica páginas. AEO exige combinar plataforma, intenção, formato, estrutura e autoridade.

Há ainda uma etapa indispensável: medir. Em quais plataformas a marca aparece? Para quais perguntas? Quais páginas são citadas? Quais concorrentes aparecem?

Sem mensuração, não existe otimização. Existe tentativa. O futuro da busca tende a ser mais fragmentado. Nesse cenário, não deve se destacar quem simplesmente produzir mais, mas quem entender qual conteúdo criar, para qual intenção e em qual ambiente deseja ser encontrado.

Publicado na edição 11.028, quarta, quinta e sexta-feira, 26, 27 e 28 de agosto de 2026 – Ano 102