O buraco sempre é mais fundo

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Obras na região do Lago Artificial são o símbolo de como se gasta mal o dinheiro público.

A vereadora Sebastiana Camargo (DEM) conseguiu resumir a indignação da população em uma só frase sobre os novos desmoronamentos das encostas do Lago Artificial: “como podem levar tanto tempo em uma obra que não aguenta chuvas?”.
O erro pode ter começado com a construção das novas galerias na rua José Francisco Paschoal, em 2008. Tudo daria certo se fosse seguido à risca, o projeto aprovado no Ministério das Cidades, mas há suspeitas que houve interferência política para que o trabalho fosse alterado na execução.
Verdade ou não, a obra que começou no mandato Hélio Bastos (PDT) precisou ser várias vezes refeita, nos quatro anos do Governo Italiano, e até agora não está pronta.
O maior problema é bem maior se considerarmos que nada do que foi projetado pelo saudoso arquiteto João Valente foi executado da forma como ele concebeu. O que foi construído no entorno do Lago nada lembra sua proposta de revitalização e embelezamento. Basta olhar para o piso das calçadas assentado sem nenhum critério e quem anda por lá já percebe sinais de afundamento.
Por enquanto, é leviano apontar culpados porque não está concluído o inquérito aberto pelo Ministério Público para investigar o caso, desde 2010.
Mas sem dúvida alguma já dá para dizer que depois de tantos remendos a obra é um grande desperdício de dinheiro. Fica difícil imaginar que houve cálculos de engenharia para projetar tudo isto.
É preciso acelerar o ritmo da investigação para descobrir quais as causas e quem são os responsáveis. Não para fazer um julgamento público, mas para corrigir erros e evitar que outras obras tenham este desenrolar infinito.

 

Publicado na edição n° 9475, dos dias 16 a 19 de novembro de 2012.