

Prometo pela glória da Arte e pela imortal elevação da Música, cumprir os meus deveres de professor, glorificando a divina arte – a Música – e a grandeza de minha Pátria”. Com estas palavras, os formandos da primeira turma de concluintes dos cursos de piano e acordeon do Conservatório Dramático e Musical Heitor Villa Lobos prestaram juramento, em 15 de dezembro de 1960.
O evento representava o alcance de uma etapa vitoriosa na trajetória desta escola de música, que fora inaugurada apenas quatro anos antes. Idealizado e organizado pelo maestro Paulo Rezende Torres de Albuquerque, o estabelecimento surgiu com o objetivo de desenvolver um ensino artístico de qualidade, apto para formar futuros professores de música de alto nível cultural.
A aula inaugural, ocorrida em 3 de fevereiro de 1958, foi ministrada pelo também maestro Pedro Pelegrino. Instalada no prédio da rua Prudente de Moraes, n. 503, onde funcionara a Academia Comercial, os primeiros cursos oferecidos foram de piano, acordeon, violão e violino, obedecendo ao programa oficial de ensino.
A inexistência de uma escola de música oficial até então, contribuiu para que houvesse uma significativa procura, perfazendo o total de 105 alunos matriculados no primeiro mês de funcionamento, sendo anunciada a abertura de inscrições para o curso de balé.
Em 20 de março de 1960 era publicado no Diário Oficial o decreto que era aguardado por todos do Conservatório, por meio do qual o estabelecimento foi reconhecido oficialmente, podendo assim, conferir diplomas de Professor de Música, aos alunos que concluíssem os cursos ministrados.
Desta forma, a programação da formatura da primeira turma do Conservatório inclui a celebração de missa solene na Igreja Matriz de São João Batista e cerimônia de entrega de diploma no Bebedouro Clube, tendo como paraninfo o professor Paulo Rezende.
Os primeiros professores de música formados no Conservatório no Curso de Piano foram Deise Valderez Loureiro, Emile Barbar Cassim, Jandira Pupo, Lisete Diniz Ribas, Maria Antonieta de Toledo Ferraz, Milson Antônio de Souza e Sheila Karoly de O. Pulino. No Curso de Acordeon, formaram-se Carmem Lazzarini, Domingos Fraieta, Gentil Ribas Filho, Ignez Apparecida Tailer, José Lourenço Marques, Maria Jesus Lopes de Souza, Nadyr de Almeida Ferrão, Paulo Roberto Martins Silva, Rosa Maria Tavares Carvalho e Sidney Magri Mesquita.
No início dos anos de 1970, o Conservatório promoveu algumas adequações no currículo dos cursos oferecidos, visando atender à nova legislação para os estabelecimentos de ensino artístico. Entre os profissionais que faziam parte do corpo docente da instituição, incluíam-se os professores de música Sylvio Cruz Robazzi e Antônio Fernando Casseb, e a professora Mirian Petto, que lecionava ballet.
A partir de 1984, Elisabete Santaella Labate assumiu a instituição, que passou a ser denominada “Instituto Musical Paulo Rezende” – Impar, mantendo-se inicialmente no mesmo prédio, que passou por algumas adequações estruturais, com a criação de um espaço cultural e estúdio no andar superior. Em 1993, após 35 anos no mesmo endereço, a instituição mudou de endereço, passando a funcionar na rua Cel. Conrado Caldeira, em prédio próprio, onde permaneceu até o encerramento das atividades.
Paulo Rezende Torres de Albuquerque
Nascido em São José do Barreiro, em 1909, Paulo Rezende fez os estudos iniciais na Suíça e aos 14 anos passou a residir em São Paulo. Após fazer o curso de maestro, começou a trabalhar com música e em 1929, chegou a Bebedouro, fazendo parte do conjunto que tocava no Theatro Rio Branco, além de trabalhar em um cartório. Anos depois, mudou-se novamente para São Paulo, onde estudou órgão, cavaquinho, violão, violino e acordeon e, paralelamente, foi diretor artístico das Rádios Excelsior e Record. Em 1948, retornou a Bebedouro para cuidar das propriedades rurais da família, quando então, prestou concurso para professor, tendo trabalhado no Ginásio Estadual.
Em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, principalmente à frente do Conservatório, Paulo Rezende recebeu em 1962, o título de Maestro Emérito de Bebedouro, concedido pela Câmara Municipal. É também o autor do “Hino a Bebedouro”, feito em parceria com Osvaldo Schiavon, música que em 1966 foi oficializada como o Hino do Município de Bebedouro. Faleceu prematuramente em 27 de novembro de 1975.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense.
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição nº 10.747, sexta a terça-feira, 7 a 11 de abril de 2023