O futuro da cidade e seu Plano Diretor

0
89

Revisão do projeto deve ser amplo com participação popular e de técnicos, sem ceder a interesses.

Como determina a legislação, o Plano Diretor de Bebedouro passará por revisão. E deve acontecer já que ele foi elaborado em 2006, quando a realidade da cidade era diferente da que vivemos. Há 12 anos, a cidade vivia relativa estagnação em investimentos imobiliários, porque haviam muitas incertezas sobre a sustentabilidade econômica da cidade.
Nos últimos anos, houve um boom de loteamentos e construção de conjuntos habitacionais populares. De acordo com o apurado pela Gazeta, há filas de pedidos para mais investimentos neste setor, o que exige da Prefeitura cautela, para não autorizar na simples canetada, o que décadas depois pode se transformar em dor de cabeça para o município.
Sistematicamente, a Gazeta vem alertando sobre a urgência do planejamento urbano, motivada pela preocupação com os claros sinais de esgotamento do atual Plano Diretor. Em comemoração ao Aniversário de Bebedouro, publicamos Suplemento especial com reportagens que retratam a expansão de bairros. Basta olhar para o alto fluxo de veículos, e notar que o crescimento de moradias não foi acompanhado de revisão do projeto viário.
O debate deve ser realizado em audiência pública, com participação popular, mas este não deve ser o único instrumento de consulta. Deve-se agendar reunião no Crea, convocar engenheiros e arquitetos da cidade, para darem suas sugestões. São eles, capacitados por formação e que no cotidiano, lidam com problemas e soluções de urbanização.
Outro ato aconselhável seria convidar mestres em urbanismo da faculdade de Bebedouro e de nossa região, dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, para que analisem a proposta e tenham liberdade para sugerir alterações. Eles participam de congressos pelo Brasil afora e no exterior, portanto têm bagagem para ajudar neste debate.
Vencida a etapa dos debates, os vereadores precisam estabelecer, na hora da votação filtro moral para não cederem a pressões por interesses financeiros particulares. Estarão aprovando o projeto da cidade para seus filhos e netos, não para si.
Neste novo projeto de Plano Diretor precisa ser incentivada a descentralização de bancos e serviços, a serem levados para os bairros, para evitar o alto tráfego de pessoas e veículos no centro da cidade, que precisa ser revitalizado e despoluído. Porém, fica difícil acreditar que esta meta esteja sendo abraçada por todos na Prefeitura, ao vermos autorizada a colocação de totem de propaganda em qualquer lugar, até em nossas praças.

Leia mais na edição nº 9714, dos dias 3, 4 e 5 junho de 2014.