
Entre diversos escritores bebedourenses, considerando poetas, cronistas, memorialistas e outros, quais teriam sido os autores dos primeiros livros publicados na cidade? Ao revisitarmos edições de jornais locais de diferentes décadas do século passado, deparemo-nos com inúmeros textos autorais, de diferentes gêneros, mas poucos foram reunidos em obras literárias.
Um dos autores mais recorrentes nos jornais das décadas de 1920 e 1930, Estácio Caldeira Cardoso (1902-1947), obteve destaque por seu talento no mundo das letras, tendo sido poeta, compositor, músico, escritor e jornalista. Escreveu inúmeros poemas, sendo alguns inseridos na imprensa local e outras em periódicos de circulação nacional. Estácio produziu apenas um livro, “Sonhos de Moço”, que lançado em 1929, foi o primeiro publicado em Bebedouro, no qual incluiu um conjunto de seus trabalhos, divididos em quatro partes: I – Sonetos; II – Poesias; III – Canções; IV – Homenagem.
Somente após quase quatro décadas, em 1968, seria editado o segundo livro, “Memórias de Bebedouro”, de autoria de Antônio Alves de Toledo (1892-1970), membro de uma das famílias pioneiras do munícipio e que exerceu os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador. Em suas memórias o ex-prefeito apresenta uma narrativa sobre os primórdios do município, incluindo a participação de sua família neste processo, e sobre os períodos que esteve à frente do executivo municipal.
O terceiro livro, “Alvorada e Crepúsculo”, foi lançado em 1970 por Oswaldo Schiavon (1908-1979), ferroviário, jornalista, vereador e escritor, cujas produções fizeram-se presentes em diversos jornais e revistas locais. Juntamente com o maestro Paulo Rezende Torres Albuquerque, compôs o Hino a Bebedouro, que seria oficializado em 1966 pelo Governo Municipal, tendo sido reconhecido no mesmo ano com o título de “Poeta Emérito de Bebedouro”. Em “Alvorada e Crepúsculo”, único livro que publicou, Schiavon reuniu a maioria das poesias que escreveu, as quais foram divididas em três seções: I – Folhas Róridas; II – Estilicídios; III – Rataplã, com destaque para o poema “Uma epopeia de amor”, no qual apresenta uma exaltação à história de Bebedouro, desde suas origens com os tropeiros até a época da citricultura.
Em 1977 seria publicado o quarto livro, “Poemas Tropicais”, de autoria do Frei Francisco de Medeiros (1932-1994), da Ordem Franciscana, no qual reuniu somente produções inéditas, divididas em duas partes: I – Sonetos e Poesias; II – Sonetos. Sendo religioso, dedicou vários poemas a irmãos franciscanos com os quais conviveu, como Frei Roque Biscione, Frei Frederico, Frei Januário, Frei Clemente Grássi, Frei Justino, Frei Antônio Pretto, além de outros dedicados à São Francisco de Assis, santo fundador da Ordem dos Frades Menores, a qual pertencia. Além deste, editou em 1968 a obra “Oferendas”, porém na cidade de Mirassol.
A publicação do quinto livro em Bebedouro ocorreu em 1981, “Fragmentos do Eu”, do professor, vereador, músico e escritor João Batista Giglio Villela (1952-2022). Na área literária, produziu inúmeras poesias, sonetos, crônicas, poemas e canções, além de ter sido um dos fundadores da Associação Pró-Arte de Bebedouro. Em “Fragmentos do Eu”, Villela reuniu 168 composições poéticas, focalizando diversos temas, personagens e situações, em hinos, orações e poemas, incluindo homenagens às cidades de Bebedouro e Viradouro, sua terra natal. Depois deste, publicou o livro “Poemas em forma de oração”, no qual além de novos poemas inseriu também crônicas, hinos e outros gêneros, com destaque para a letra do “Hino ao Centenário de Bebedouro”.
Ainda nos anos de 1980, ocorreu o lançamento de vários livros, entre eles “O feitiço da pousada”, do professor, advogado e ex-vereador Octávio Guimarães de Toledo (1924-2001). De cunho histórico e memorialista, foi apresentado como um “poema dedicado a Bebedouro no ano de seu centenário”, 1984.
Nas décadas seguintes, a publicação de livros tornou-se mais frequente, devido a vários fatores, como a expansão do mercado editorial, a ampliação do público leitor e a maior facilidade de divulgação e comercialização das obras. Com isso, ocorreu uma sucessão de lançamentos de obras literárias, de ficção e não-ficção, de prosa e poesia, de memorialistas e pesquisadores, didáticas, religiosas, acadêmicas e institucionais.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense).
Publicado na edição 10.675, quinta a terça, 16 a 21 de junho de 2022.