Talento de sobra – Osmar Prado em cena emocionante e muito bem dirigida, em ‘Pantanal’, no capítulo de sábado (7), quando seu personagem leva tiro, é salvo e, depois, se transforma em sucuri.

É impressionante assistir ‘Pantanal’ e ver o desempenho de todos os profissionais envolvidos na produção. É, literalmente, uma obra de arte, todo dia, às 21h, na casa dos brasileiros. A Globo não blefou quando disse que o remake seria uma superprodução. Tudo contribui para a novela ser sucesso e tudo começa pelo apelo popular, atingindo significativamente a memória dos brasileiros, afinal, a sensação de nostalgia é grande naqueles que conseguiram ver a primeira versão na extinta Manchete, em 1990.

Outro fator primordial é o casamento perfeito entre roteiro e atuação, passando, claro, pela direção artística muito bem defendida por Rogério Gomes. Figurino, cenário, sequências espetaculares, movimentos de câmera bem planejados e planos incríveis dão ao telespectador a sensação de estarem assistindo a um filme na tela do cinema. A encantadora fotografia casa perfeitamente com a sonoplastia e a própria trilha sonora é um espetáculo à parte.

A escolha dos protagonistas foi certeira. A química entre Jesuíta Barbosa e Alanis Guillen, respectivamente Jove e Juma, foi notada desde o primeiro momento dos dois em cena. A escolha de Osmar Prado para viver o ‘Velho do Rio’ também foi matadora, o veterano incorporou muito bem o papel do homem misterioso que vira sucuri e sabe de tudo o que acontece no Pantanal.

Destaque para a cena do capítulo exibido no sábado (7), quando Muda atira no Velho pensando ter atingido a onça. Prado entregou atuação e mostrou toda sua força cênica na sequência em que se arrasta até a beira do rio onde é salvo por um peão misterioso e, em seguida, transforma-se em sucuri para se esconder. Cena muito bem dirigida e os efeitos especiais são perfeitos, sempre conectados com a cena.

‘Pantanal’ também faz sucesso porque é fiel à obra original. Claro que surpreender o público sempre é bom, mas há outras maneiras de surpreender sem mudar o roteiro original. É fato que Bruno Luperi fez algumas modificações no texto do avô Benedito Ruy Barbosa, autor original da trama, mas foram coisas pontuais para trazer a trama à atualidade, com assuntos que evoluíram e ganharam outra roupagem 30 anos depois da primeira exibição.

Esta fidelidade leva o público para frente da televisão novamente, prova disso são os números. ‘Pantanal’ tem audiência superior à da sua antecessora ‘Um Lugar ao Sol’ e já atinge média de 30 pontos em alguns capítulos, marca que a antecessora nunca passou perto. Tudo contribui para que os números cresçam cada vez mais, a novela tem força e a história ajuda.

Ainda restam pouco mais de quatro meses para o fim da trama e até outubro muita água pode rolar, a direção da novela vai mudar nos próximos capítulos com a saída de Rogério Gomes que passará o bastão para Gustavo Fernandez, que dirigiu Órfãos da Terra e carrega a conquista de um Emmy Internacional em seu currículo. Que Fernandez não mude o estilo já deixado por Gomes, que ele tenha em mente o sucesso e a repercussão da trama, principalmente, agora que a novela engrenou e tende só a crescer. É fato que cada diretor tem sua peculiaridade, mas, para o caso de ‘Pantanal’, existe um bom e velho ditado que se aplica muito bem: “Em time que está ganhando não se mexe”.

Publicado na edição 10.666, sábado a terça, 14 a 17 de maio.