
Julio Cesar Sampaio
“… Algumas coisas são explicadas pela ciência, outras pela fé. A páscoa ou pessach é mais do que uma data, é mais do que ciência, é mais que fé, páscoa é amor.” – Albert Einstein.
Páscoa – sua origem remonta os tempos do Velho Testamento, por ocasião do Êxodo do povo de Israel da terra do Egito. A Bíblia relata o acontecimento no capítulo 12 do livro do Êxodo.
Em comemoração a este livramento extraordinário, cada família hebréia deveria observar anualmente a festa da Páscoa, palavra hebraica que significa “passagem” “passar por cima”.
Esta festa deveria lembrar não só a libertação da escravidão egípcia, mas também a libertação da escravidão do pecado, pois o sangue do cordeiro apontava para o sacrifício de Cristo, o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Religião – não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra “ciência” social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa.
As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana. Em certa feita, fomos questionados acerca da “melhor” religião para comemorar a Páscoa. Nossa resposta, de imediato, fora: “a da tolerância, obviamente!”. Quando analisamos a literatura filosófica sobre religião – re-ligare-, ou seja, religar a Essência Divina imbuída no ‘ego’ com o ‘alter ego’ do homem com o Divino, podemos salientar que todas as religiões buscam, de forma abrangente e, às vezes, generalizada, fatos metafísicos intrínsecos à realidade divina substancial no mundo das “coisas”. Infelizmente, algumas religiões (que apregoam: autoridade hierárquica, rituais, questões ontológicas, tradições, mistérios, entre outros), “criam” na mente dos seus simpatizantes uma “intolerância casual”, em relação às outras religiões, isto é, as mesmas têm como Essência Divina, o mesmo SER, não obstante, segregam-se por não saber ouvir ou, quiçá, “respeitar” outras concepções de cunho religioso. Ainda que jocosamente (mas, soando com pertinência) Joseph Campbell, outrora, asseverou: “mito é a religião do outro” -, tentando ele salientar que a religião não é uma forma obtusa quanto ao questionamento entre si.
Entrementes, em Filosofia da Religião, quando o assunto nos reporta à Páscoa, tratamos, pois, do sentido da realidade em geral, tendo por objeto específico à questão da existência de Deus e do seu culto e Filosofia Perene da tolerância entre as religiões. Em suma, respeitamos, reverenciamos e, por que não, adotamos nossa religião, ainda em respeito a todas as “outras”, sempre com o pensamento voltado para o discernimento pela busca do bem comum, buscando (com adendo ao pensador Joseph F. Newton) criar pontes ao invés de paredes perante “outras” religiões… Destarte, desejamos independente de qualquer credo ou religião: Feliz Páscoa a todos!
(Colaboração de Julio Cesar Sampaio, Licenciado em Filosofia com pós-graduação no ensino de filosofia)




