Qual o futuro do Aeroporto Municipal?

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A Prefeitura de Bebedouro precisa discutir se quer reservar o local para prática de esporte aéreo ou se há viabilidade dele ser adaptado para receber aviões de carga.

A publicação na edição passada da Gazeta, da entrevista do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira (PSDB), de que luta para conseguir verba para recapeamento da pista do Aeroporto, trouxe à tona uma antiga discussão sobre o real destino do local.
Décadas passadas, na Câmara de Vereadores, era forte o debate entre os parlamentares para adaptar o Aeroporto Municipal para recepcionar pesadas aeronovaes de carga, porque há dez anos, já se falava na saturação do Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto, que está espremido entre áreas habitacionais, sem espaço para expansão.
Apesar do assunto ser importante para os projetos de desenvolvimento econômico da cidade, o assunto foi encostado por anos. Talvez o que colaborou para esta letargia foi o sucesso dos campeonatos de vôo a vela. Por anos, os planadores conseguiram ultrapassar o desgaste da pista antes de alçar o céu. Porém, o grau de deterioração do pavimento é tal, que daqui uns anos, haverá risco até para a prática do vôo a vela.
Por mais que se empurre com a barriga, um dia precisa acontecer o debate sobre a principal função do aeroporto: prática esportiva ou transporte de cargas; porque as adaptações nas pistas necessárias para receber grandes aviões cargueiros, até iluminação de solo, complicam o trajeto de planadores.
Este debate deve ser aberto com a sociedade, atletas do voo a vela e empresários, para juntos, adotar o melhor caminho para toda cidade. Talvez, em parceria com a iniciativa privada, encontre-se a solução, até financeira para fazer a reforma da pista.
Enquanto há anos, o Aeroporto Municipal fica de canto, em Barretos, com apoio do Hospital do Câncer está prevista a transformação do também parado aeroporto para recepcionar aeronaves de passageiros, medida correta para dar rapidez ao transporte dos pacientes em tratamento de câncer, vindos de todo Brasil. A mobilização da cidade é tal que já há verba empenhada do Governo Federal para reforma da pista.
Em Ribeirão Preto, aos trancos e barrancos, o Aeroporto Municipal está sendo ampliado, mesmo em exíguo espaço territorial.
Sabemos que a classe política de Bebedouro já está até envergonhada em pedir mais recursos para a cidade que vai ganhar até um Hospital Estadual. Mas basta olhar para os arquivos da Gazeta, ler as edições dos últimos 20 anos, para perceber que há muito tempo, a cidade não pede e não recebe nada.
No ano em que se instalará o curso de Tecnólogo em Logística, pela Fatec Bebedouro, passou da hora de aprofundar o estudo sobre o Aeroporto Municipal. Temos localização privilegiada no estado de São Paulo para distribuição de mercadorias, mas esta característica de nada vale se não tivermos condições de aprimorá-la.

(…)

Publicado na edição nº 9682, dos dias 15 16 17 de abril de 2014.