Saudades de Bebedouro – década de 1960 e início da década de 1970

Dymiro Vita

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Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com atuação em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente como consultor técnico

É sempre bom relembrar dos tempos saborosos e saudosos vividos na “Cidade Coração”. Tínhamos o privilégio de ter na região central da cidade, o quintal da tia Hilda Kfouri, na casa defronte à Matriz de São João Batista, para jogarmos futebol, brincarmos de pique no porão e nos deliciarmos com as mangas rosinha. O Bebedouro Clube só tinha uma piscina, mas era o suficiente para nós. Também brincávamos de pique em volta da Igreja Matriz de São João Batista. Entrávamos na sacristia para pedir santinhos. Colecionávamos figurinhas, chaveiros, tampinhas de garrafa, embalagens de maços de cigarros, gibis e plásticos.  Percorrer a rua Coronel João Manoel no mês de dezembro antes do Dia de Natal, para ver as lojas abertas, era uma atração. Parecia que tudo acontecia na rua São João e Coronel João Manoel. Comprar sorvete saia e blusa no carrinho era uma delícia. Nos domingos à noite tinha o vendedor de algodão doce, o pipoqueiro e o de quebra-queixo em frente à Matriz. As sessões do Zig Zag no domingo de manhã no Cine Rio Branco e as matinês no domingo à tarde eram concorridas.

Tinha um pipoqueiro que ficava na Esquina do Pecado, normalmente nos domingos à noite. Ele se vestia de branco e usava também sapato branco e dizia: “em Bebedouro somente 4 pessoas se vestem de branco pra trabalhar: os médicos, os enfermeiros, o pipoqueiro e o Thomé Calif”. Muito engraçado. Num determinado período, as andorinhas infestavam as árvores do Largo da Matriz de São João Batista, “batizando” as pessoas que transitavam por ali, os bancos, o chão e até os carros que estacionavam. O tempo passou e as brincadeiras e os costumes também. Passamos a frequentar a sede social do Bebedouro Clube, o bar defronte, os bancos do jardim, comer misto quente no Bar do Espanhol, que também vendia revistas, cigarros e colocava fluído nos isqueiros, e comer pastéis e tomar guaraná Paulista no Stop, em frente à Matriz.

Íamos no footing nos domingos à noite no Jardim da Fonte. Sempre tentávamos entrar na segunda sessão do Cine Rio Branco, nos filmes proibidos para menores de 18 anos. Frequentávamos as festas juninas no Largo da Matriz de São João Batista, Nossa Senhora Aparecida e Largo de São Benedito. Uma coisa curiosa era a água mineral com gás Palmital, que vinha numa garrafa verde e grande e vendida em copos, no Café Predileto, na Esquina do Pecado. Vimos nascer o primeiro carrinho de sanduíches da cidade, que era do Tuquinha e do Paulinho Pimentel. Até começarmos a frequentar os bailes à noite no Bebedouro Clube, principalmente. Carnaval e Festa da Laranja se constituíam em capítulo especial à parte.

Assistir os jogos da Internacional no estádio Arnoldo Bulle nos domingos à tarde era programa imperdível. Batíamos ponto nas “brincadeiras” de domingo à noite na Associação dos Empregados no Comércio. Tudo era alegria e amizade. Tempos maravilhosos e que trazem muita saudade de Bebedouro.

(Colaboração de Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com experiência em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente atuando como consultor técnico).

Publicado na edição 11.036, quarta e quinta-feira, 30 de setembro e 1º de outubro de 2026 – Ano 102