
“Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros.” – Mandela, Nelson.
Julio Cesar Sampaio
Este artigo objetiva analisar e discutir o conceito de “liberdade” do ser humano e suas nuances causais subsequentes, mediante a contingência da vida, (a partir da leitura do Mundo Como Vontade e Representação do filósofo alemão Arthur Schopenhauer), trazendo em questão, como fator de análise, discutir subjetivamente, pela criticidade, o objeto de acordo com o sujeito, este sendo a norma cognitiva para aquele. Entrementes, como a vida “nos impulsiona” pelo “indeterminismo” casual, sem corroboração ou perspectivas otimizadoras por escolher nossa longevidade, nossa liberdade perante esta suposta longevidade, a “idéia” que temos do mundo pelo nosso conhecimento é a nossa representação do mundo, pois o objeto conhecido é o objeto como o sujeito apresenta-o a si através de formas subjetivas. Esse apriorismo cognoscitivo não permite afirmar nem negar nada do mundo objetivo. A vontade torna-se o substrato de todas as forças e impulsos representados nos fenômenos. É o princípio fundamental da Natureza: todo corpo é a objetivação da vontade. Artur Schopenhauer, em sua obra-prima O Mundo Como Vontade e Representação (Die Welt als Wille und Vorstellung), apregoa as grandezas da não-existência, a total extinção da vontade individual. A contemplação desinteressada das ideias seria um ato de intuição e permitiria a contemplação da vontade em si mesma, o que, por sua vez, conduziria ao domínio da própria vontade. Ora, concluiu Schopenhauer, o homem ingênuo e inexperiente vive na perpétua ilusão acerca do apriorismo cognoscitivo não permitindo afirmar nem negar nada no mundo objetivo, externo: tudo que posso afirmar ou negar se refere unicamente ao meu mundo fenomenológico interno. Para além deste meu mundo humano jaz o mundo cósmico, incógnito, incognoscível. O homem ingênuo e inexperiente vive na perpétua ilusão desta grande “verdade”, confundindo inconscientemente esses dois hemisférios, afirmando ou negando do mundo objetivo o que deveria afirmar ou negar do seu mundo subjetivo. O que é essencial no sujeito? Qual a “quintessência” da natureza humana? Se descobrirmos a natureza íntima do nosso Eu humano, conheceremos também a íntima natureza do não-Eu cósmico, do mundo em derredor? Que é, pois, o âmago do Eu humano e sua liberdade perante a contingência da vida? Ora, como querer viver pela longevidade casual e uma “suposta” liberdade de escolha dessa condição ainda que causal, pois o querer é a essência do sujeito e é também a íntima natureza do objeto? O Homem é um feixe de vontades – e o mundo é uma imensa síntese de querer. O mundo é um ininterrupto querer objetivado. Em elementar analogia, podemos contextualizar que antese de tudo nosso corpo é o produto de um querer, ou melhor, de duas vontades ou desejos; é uma individualização e concretização de duas vontades externas: a contingência da vida e a liberdade dessa vida. Não há nascimento nem morte nos domínios da vontade. Universal em si mesma é ela a interminável fonte de vidas individuais, porque, em suma, vida é individualização.
(Colaboração de Julio Cesar Sampaio, Licenciado em Filosofia com pós-graduação no ensino de filosofia).
Publicado na edição nº 9772, dos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2014.




