
Dois importantes estudos recentemente divulgados demonstram a força, o dinamismo e o desenvolvimentismo do agronegócio na sociedade e na economia do Brasil. Mais do que um segmento econômico, o agronegócio gera riqueza, desenvolvimento humano e oportunidades muito interessantes de negócios país afora.
De acordo com pesquisa divulgada pelo núcleo de agronegócios da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o FGVAgro, houve aumento na remuneração média mensal e na formalização dos postos de trabalho no agronegócio no período compreendido entre 2016 e 2023. Muito embora tenha havido, em números totais, queda de 558 mil postos de trabalho no recorte temporal mencionado, ocorreu nos anos estudados um incremento do percentual de carteiras de trabalho assinadas e elevação do valor pago aos profissionais atuantes no campo.
Os segmentos da agricultura e da pecuária tiveram, entre 2016 e 2023, queda de 9,7% e 9,5%, respectivamente, nos postos de trabalho, ao passo que a agroindústria gerou, no mesmo período, 6,5% mais oportunidades de emprego, com destaque para os ramos de alimentos e bebidas (alta de 18,2%) e de produtos não-alimentícios (aumento de 1,1%). Em números gerais, houve redução dos trabalhadores ocupados no campo: de 14,3 milhões de pessoas em 2016, passamos para 13,8 milhões em 2023.
Estima-se que a redução dos postos de trabalho em números totais se deu, basicamente, em função da mecanização da produção e colheita e da migração crescente da população para centros urbanos. Um ponto interessante é que a agropecuária pouco foi influenciada pela pandemia, conforme aponta o estudo, diferentemente da agroindústria, que em determinados períodos foi fortemente impactada pela crise da Covid-19 e, também, pela greve dos caminhoneiros.
No entanto, um dos pontos positivos identificados no estudo indica que, entre 2016 e 2023, houve aumento de 6,8% na geração de vagas formais de trabalho no setor do agronegócio, muito em função da queda significativa do trabalho informal no período (-10,3%). Esse dado é relevante, na medida em que maior formalização significa maior proteção ao trabalhador, inclusive do ponto de vista financeiro, e aumento da arrecadação previdenciária para a manutenção da rede de apoio social no Brasil. Mas, ainda há um longo trabalho a ser feito, já que apenas 41,5% dos postos de trabalho no campo são formalizados.
O outro ponto positivo apontado pela pesquisa do FGVAgro diz respeito ao crescimento, em termos reais, isto é, já descontada a inflação, da remuneração média paga aos trabalhadores do agronegócio. Na comparação entre 2016 e 2023, houve incremento de 12,6% na remuneração em questão, hoje, na média, na casa dos R$ 2 mil. Tal incremento é superior ao aumento da remuneração média do trabalhador brasileiro em geral, que cresceu 4,3% no mesmo período. Essa percepção é importante e, também, positiva, já que demonstra a criação de melhores condições de vida para os trabalhadores do campo. Mas, claro, também há muito a ser feito ainda.
Outro estudo relevante, da consultoria PwC, indica que as fusões e aquisições no segmento dos agronegócios estão novamente se aquecendo, conforme apontam os dados dos últimos três anos. No período, houve incremento de 30% nas operações dessa natureza no setor, contra um decréscimo de 23% em relação aos demais setores da economia. Somente em 2023, já foram realizadas 65 operações de M&A (mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições em inglês), contra uma média de 30 nos anos anteriores. Lideram as operações os ramos de máquinas e sementes, tecnologia, consumo e produtos químicos.
Todos esses dados identificados nos estudos, seja do mercado de trabalho, seja das operações de M&A, indicam a tendência da profissionalização dos negócios no campo, o que demanda melhores condições de trabalho, melhor remuneração para atração e manutenção de talentos e maior dinamismo das empresas e dos empresários dos agronegócios. Essa é uma boa notícia para o setor, que já é campeão em produção e produtividade e agora caminha a passos largos para se tornar cada vez mais moderno, desenvolvido e profissionalizado.
(Colaboração de José Mário Neves David, advogado e consultor. Contato: jose@josedavid.com.br).
Publicado na edição 10.780, de quinta a terça-feira, 2 a 7 de novembro de 2023





