Valorização médica versus recursos financeiros

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A sociedade enfrenta o dilema sobre a correta remuneração dos profissionais e a insuficiência de recursos.

A polêmica decisão do Governo Dilma Rousseff (PT) na ‘importação’ de médicos, causa além de acaloradas discussões, a reflexão sobre o cenário da Saúde Pública e Privada no Brasil.
Deve-se respeitar o empenho de pessoas que tiveram a capacidade de passar nos vestibulares para uma das carreiras mais disputadas nas faculdades. Além disto, o curso é muito exigente com todos os alunos. Quem consegue graduar-se como médico, merece todo respeito da sociedade.
Porém, é preciso refletir sobre os dilemas em que se encontra a sociedade civil. No setor público, as prefeituras não têm caixa para pagar o que merecem todos os médicos. Por isto, a opção por contratação de Organizações Sociais e até cooperativas, para reduzir os custos, sem perder a qualidade do atendimento.
Porém, a mesma dificuldade de remuneração adequada dos médicos é enfrentada também pelas empresas de convênios, que todo ano são alvos de protestos das categorias. Se as empresas atenderem as reivindicações salariais, serão obrigadas a repassar o valor para as mensalidades dos convênios, o que se refletirá em queixas.
Passou da hora do Sindicato dos Médicos sentar com o setor público e privado para encontrar o consenso sobre os salários dos médicos. Não há duvida que mereçam ganhar bem, mas nem sempre há como atender os valores.
Outro dilema é que teoricamente não faltam médicos no Brasil, mas sim há má distribuição de profissionais. Nas regiões Sul e Sudeste a proporção médico por habitante chega a ser adequada. Mas nos rincões das Regiões Norte e Nordeste, há postos médicos vazios, mantidos apenas por enfermeiros, técnicos ou práticos nos conhecimentos de medicina.
Trazer profissionais de outros países parece uma boa alternativa, porque virão médicos que apesar da boa formação não conseguem serviço em seus países. Porém, não dá para aceitá-los em solo nacional sem passar por teste de validação dos diplomas. São duas razões para esta exigência: a contrapartida ao mesmo tratamento que os médicos enfrentam em outros países, e 2º lugar, o fato de que eles não têm conhecimentos sobre todas as endemias brasileiras, diferentes do que são encontradas na Europa, Ásia e África.
Se fecharmos as fronteiras a esta proposta fica como opção obrigar todos os médicos recém-formados em universidades públicas a trabalhar por quatro anos, no mínimo, em regiões com déficit profissional. Seria a justa recompensa a quem estudou com recursos públicos.

Publicado na edição n° 9567, dos dias 6, 7 e 8 de julho de 2013.

 

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