A continuação de ‘Verdades Secretas’ erra e acerta ao mesmo tempo – Parte 1

Marcos Pitta

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O trio da vez – Quem assiste à segunda temporada de ‘Verdades Secretas’ confere Camila Queiroz, Agatha Moreira e Rômulo Estrelas nos papéis principais. (Pedro Pinho/Globo)

Quando surgiram rumores da continuação de ‘Verdades Secretas’, o Critica em Foco publicou na edição 10.300 da Gazeta, de 18, 19 e 20 de agosto de 2018, se realmente era necessária a segunda temporada. Na ocasião, escrevi: “Às vezes é necessário reconhecer o momento de parar. Pode dar muito certo a continuação, mas também, pode dar muito errado”.

É este o ‘x’ da questão. Aconteceram as duas coisas. Críticos estão atacando a continuação da novela. A falta de uma história na narrativa é a principal queixa. Depois disso, muito se fala sobre a diferença entre a direção de Mauro Mendonça Filho (de 2015) e de Amora Mautner (de agora).

Sem comparações, a direção de Mendonça Filho era primorosa, tem seus méritos e foi primordial na conquista do Emmy Internacional naquele ano. Mautner tem outra visão, é outra direção e a questão sobre qual é melhor, recai unicamente no gosto pessoal de cada espectador. A ideia do público-alvo também mudou de lá para cá.

Continuar a história deu errado porque realmente falta história. O que foi inserido, de novidade, é sobre novos personagens que poderiam, muito bem, compor uma nova série para o Globoplay, talvez no mesmo universo de ‘Verdades Secretas’, mas com outro título e outra abordagem. Mas, por outro lado, também deu muito certo porque a trama é envolvente e, apesar da falta de narrativa, quem assiste consegue viciar.

Com 20 capítulos já disponíveis, a continuação da saga de Angel e Giovanna tem aliados para ser positiva. A trilha sonora contribui demais, são músicas que estão no auge, outras que contextualizam o momento pop da atualidade. A fotografia é convidativa, apesar de muito escura em algumas cenas, mas traz prestígio. Aliás, é isso que Mautner passa na direção artística, o prestígio e o glamour da moda. Na série, é possível ver uma São Paulo quase que nova-iorquina. Toda estética da série, desde a fonte dos créditos até a cor utilizada nas ilustrações, passando pelo filtro das cenas, tudo é artes plásticas e lembra o tempo todo, as capas de revistas de moda.

A linguagem também está rápida, novela com cara de série. Nasce um possível novo formato de se fazer telenovela no futuro que é, sem dúvidas, o streaming. E, por isso, o público-alvo desta continuação é outro. Isso, contudo, não supre a falta de história e de diálogo. Temos ainda, Camila Queiroz que parece ter estacionado na atuação. Mas estes dois tópicos são assuntos para a parte 2 desta crítica, na semana que vem.

Publicado na edição 10.622, de 6 a 9 de novembro de 2021.