A continuação de ‘Verdades Secretas’ erra e acerta ao mesmo tempo Parte 2

Marcos Pitta

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Falta experiência – É notório o avanço dos demais atores, enquanto Camila Queiroz patina na atuação da nova temporada de ‘Verdades Secretas’. (Divulgação/Globoplay)

Ao final da crítica da semana passada, dois apontamentos foram feitos no parágrafo final. O primeiro sobre possível novo formato de se fazer novela para o streaming e, o segundo, o estacionamento da atuação de Camila Queiroz, a protagonista Angel da trama de Walcyr Carrasco. Vamos a eles.

Todos já sabem: a continuação desta novela é a primeira produção deste gênero exclusivamente para o streaming. A ideia pegou e isso pode ser provado através da contratação de Sílvio de Abreu (ex autor e diretor de dramaturgia da Globo) pela HBO Max e também pela conquista de direitos de ‘Dona Beja’ pela Netflix, possivelmente, vem remake do clássico da extinta Manchete.

Nasce, portanto, formato mais rápido de produzir uma novela. Quantidade de capítulos em torno de 50, direção muito aproximada das séries e com a linguagem que o jovem procura nas plataformas on-demand. Em ‘Verdades Secretas 2’ é possível ver tudo isso. O texto de Carrasco segue o padrão de suas tradicionais novelas, totalmente didático. Mas, o tom jovial está na direção de Amora Mautner, caprichada na fotografia, trilha sonora e na edição ágil. O modelo adotado pelo Globoplay de liberar 10 capítulos a cada 15 dias também é interessante. As pessoas podem maratornar em duas semanas, bloco de capítulos com grandes acontecimentos e ganchos que nutrem expectativas, ficando aquela ansiedade do que vem pela frente, esta, inclusive, é a graça de se assistir novela.

O segundo ponto, a atuação de Camila Queiroz, não quer dizer que ela esteja ruim. No entanto, ao analisar as expressões e entonações da atriz, em cenas desta continuação, fica visível como ela estacionou perante os demais colegas do elenco. Ágata Moreira, por exemplo, intérprete de Giovanna, avançou muitos degraus de 2015 para cá. O mesmo pode-se dizer de Rainer Cadete, o Visky.

O que pode ter acontecido é: os demais tiveram mais oportunidades de atuação entre a primeira e a segunda temporadas e Queiroz não. Ela saiu de ‘Verdades’ em 2015 e logo encarou a caipira Mafalda de ‘Êta Mundo Bom’ e, na sequência, a ambiciosa Vanessa de ‘Verão 90’, nenhum papel de grande destaque que a tirou da sua zona de conforto a ponto de superar a si mesma na atuação. Já Moreira encarou a grande vilã de ‘A Dona do Pedaço’ e uma mocinha romântica em ‘Orgulho e Paixão’, tramas e personagens bem distintas. Falta experiência.

Além disso, Queiroz atua com outros grandes nomes, como Maria de Medeiros, Debora Evelyn, Guilhermina Guinle, Gabriel Braga Nunes, Rômulo Estrela, Érica Januza e Sérgio Guizé. Lá em 2015 ela era novata e o público comprou. Agora, não. É possível reparar contrastes entre as atuações.

Talvez, algo que a direção precisasse ter prestado mais atenção. Enfim, mais duas provando erros e acertos da continuação da novela.

Publicado na edição 10.624, de 13 a 19 de novembro de 2021.