A liberdade de imprensa e os políticos

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Virou praxe quando um governante se vê em situação complicada culpar os meios de comunicação e propor regras para amordaçar a imprensa.

Tão clichê quanto final de novela em que o vilão morre e sempre tem cerimônia de casamento, no encerramento de seus mandatos os prefeitos não reeleitos engatam o discurso de que perderam porque foram perseguidos pela imprensa.
Este tipo de argumento não resiste a nem dez minutos de debate porque é simples fazer comparações históricas. Os presidentes FHC e Luís Inácio Lula da Silva foram bastante fiscalizados pelos meios de comunicação. No entanto, ambos conseguiram se reeleger e um deles até fez a sucessora.
É muito conveniente aos políticos jogarem fermento no poder de um jornal ou de uma emissora de rádio, porque esta estratégia serve de cortina de fumaça sobre os seus desmandos à frente de um governo.
Não são os jornalistas que escolhem os assessores de 1º, 2º, 3º e subterrâneos escalões. É o governante que desperdiça a rara oportunidade de contratar profissionais e opta por colocar nos cargos, parentes e apadrinhados políticos. E muitos deles muitas vezes sequer apresentam experiência de gestão nem em carrinho de venda de sorvetes.
Nos últimos dez anos, a moda entre os políticos é elaborar leis para restringir o poder do Ministério Público e da Imprensa. Tramita no Congresso Nacional o embrião de uma Lei de Mordaça. Nada novo para quem milita no Jornalismo. Vira e mexe, a cada ditadura, os jornais, rádios e emissoras de televisão são calados sob forte ameaça.
Internamente, todos os jornalistas e proprietários de empresas de comunicação sabem muito bem o que devem ou não publicar. Há legislação suficiente para regulamentar isto. Aliás, virou moda até quem é pego em flagrante e depois solto, arrumar advogado para tentar ser ressarcido por seu suposto dano moral. Mas desconfiamos até de organizações criminosas atrás desta onda de ações com intenção de intimidar. O que não dá para aceitar é ver os políticos que deveriam defender a Liberdade de Imprensa, embarcarem nesta nova modalidade de mordaça.
Jornalismo com responsabilidade, praticado por profissionais é garantia de acesso a informação de qualidade. Isso Mesmo, informação com chancela de veracidade, não mentiras, nem insinuações. Sem criar fatos ou institucionalizar fofocas.
Esta liberdade os jornalistas de fato e de direito exigem. Censura nunca.

 

Publicado na edição n° 9465, dos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2012.