A produção de seringas no combate à Covid-19

Douglas Soares Agostinho, Dayse Mendes e Jéssika Alvares Coppi Arruda Gayer

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De acordo com o IBGE, por meio de estimativas da população brasileira em seus 5.770 municípios, tendo como data de referência o dia 01/07/2020, o Brasil chegou a 211,8 milhões de habitantes. Em pronunciamento no dia 08/12/2020, no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reiterou que todos os brasileiros que desejarem, serão imunizados contra a Covid-19.

A maioria das vacinas em desenvolvimento são ministradas em duas doses, ou seja, para atingir 100% da população brasileira, conforme a afirmação do ministro, seria necessária a compra de aproximadamente 423 milhões de doses. O governo afirmou, na data de 11/12/2020, ter garantido a compra de 372,9 milhões de doses, isto é, um número de doses abaixo do necessário para a imunização de toda a população. Esse, porém, não é o maior problema para o enfrentamento da situação, uma vez que as doses iniciais devem imunizar os grupos de risco, tais como idosos, trabalhadores da área da saúde e indígenas.
Em relação às vacinas em fases finais de testes, logo após a aprovação e fabricação em grande escala, essas deverão ser mantidas em câmaras frias, durante estocagem e transporte para poder manter suas características, além disso devem ter a sua fabricação aumentada para suprir a necessidade global, o que pode vir a se tornar uma das dificuldades para a imunização no país.

No entanto, o maior problema encontrado até o momento, na verdade, é a capacidade de produção de seringas e agulhas, para possibilitar a aplicação das doses da vacina. No Brasil, existem hoje quatro fabricantes de seringas, são elas a Becton, Dickinson and Company (BD), a SR Seringas e a Injex Indústrias Cirúrgicas, e apenas uma de agulhas, a BD. A capacidade de produção atual de seringas é de 50 milhões em 5 meses (média de 10 milhões/mês) e é sabido que essas empresas estão se preparando para o aumento de demanda.

Utilizando como exemplo a fabricação de seringas, as empresas produtoras precisarão rever sua capacidade interna, layout, mão de obra, entre outros recursos produtivos. Muitas vezes bastará aumentar um turno de trabalho, porém pode haver a necessidade de se investir em equipamentos novos, aumentar área de estocagem, promover treinamento.
Como é possível perceber, todas essas decisões são difíceis e devem ser tomadas visando a melhor estratégia para as empresas, pois, causam impacto em toda a cadeia de suprimentos, inclusive, no âmbito competitivo. Ainda, a análise do fornecimento em quantidades necessárias de seringas e agulhas para atender a população vai além da capacidade de cada fornecedor, pois envolve toda uma cadeia de suprimentos que se inicia no fornecedor primário até o cliente final.

Esse tipo de demanda é sazonal. Isso significa que não deverá se repetir nos próximos anos e, com isso, as ações de aumento de capacidade produtiva devem ser muito bem avaliadas pelas áreas de Engenharia de Produção dessas empresas, para que não haja desperdícios ou custos desnecessários. Toda essa situação mostra a importante colaboração dessa área nas tomadas de decisão das empresas. Qualquer inconsistência pode levar a não se atingir os resultados desejados, em especial no que diz respeito ao combate à Covid-19.

 

(Colaboração de Douglas Soares Agostinho, coordenador do curso de Engenharia de Produção do Centro Universitário Internacional Uninter; Dayse Mendes, professora do curso de Engenharia de Produção do Centro Universitário Internacional Uninter; Jéssika Alvares Coppi Arruda Gayer, professora do curso de Engenharia de Produção do Centro Universitário Internacional Uninter).

Publicado na edição 10.560 de 6 a 9 de março de 2021.