A radiocomunicação na Segunda Guerra Mundial

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Dane Avanzi

Tive a oportunidade de conhecer de perto o Porta-Aviões americano USS Midway. Hoje transformado em museu, está ancorado na cidade de San Diego. Além do acervo de aeronaves, caças, helicópteros e equipamentos utilizados, em sua maioria, durante a Segunda Guerra Mundial, o acervo do USS Midway, nos conta detalhes de como viviam sua tripulação graças às instalações originalmente preservadas.
Após percorrer todas as dependências do USS Midway, fiquei impressionado em perceber que há uma verdadeira cidade dentro de um porta-aviões, que além do aparato militar, obviamente, é dotado de correio, hospital, alojamentos, farmácia, salas de tratamento odontológico, cozinha e refeitório. Enfim, todas as utilidades necessárias para suportar a vida em alto mar, por meses a fio, se a situação exigir.
No entanto, o que mais me chamou a atenção foi a importância estratégica da radiocomunicação no contexto da guerra. Só para se ter uma ideia, a sala de radiocomunicação ficava no meio, entre a sala de comando e o quarto do almirante, onde foram recebidas e transmitidas as mensagens que determinaram os rumos da história, o destino de toda a nação e especialmente da tripulação que ali serviu durante a guerra.
Os equipamentos eram enormes, tanto que necessitavam de uma sala somente para abrigá-los. É realmente impressionante como ao longo de meio século os equipamentos de radiocomunicação ficaram mais leves, compactos e precisos. Na sala de transmissão ficavam dois ou três operadores, além da radiocomunicação por radiotelegrafia. Existia outro aparelho, novidade na época, chamado de Teletipo, que em verdade foi precursor do Telex.
Por meio do telégrafo eram transmitidas mensagens por sinais sonoros, sendo o Código Morse a codificação mais conhecida e predominante. Já o Teletipo era mais avançado. Nele a mensagem já vinha digitada, como um fax.
Juntamente com a impressão era emitida uma fita, uma espécie de “backup”, que armazenava o conteúdo da mensagem e possibilitava retransmitir automaticamente sem ter que digitar, ou melhor, datilografar – termo usual na época e hoje em desuso -, tudo novamente.
O USS Midway é um dos muitos museus americanos que preservam a memória nacional. Lá, estudantes e cidadãos de todo o mundo podem interagir com o “Palco” que sediou um pedaço da história. O Instituto Avanzi, possui um acervo com vários equipamentos de telecomunicações utilizados no início do século XX. Acreditamos que somente conhecendo a história do que já se passou poderemos compreender a realidade hoje e projetar um futuro melhor.

(Colaboração de Dane Avanzi, advogado, empresário do Setor de Engenharia Civil, Elétrica e de Telecomunicações e Diretor Superintendente do Instituto Avanzi, ONG de defesa dos direitos do Consumidor de Telecomunicações).

Publicado na edição nº 9554 dos dias 4 e 5 de junho de 2013.