

Atualmente o mundo político está em polvorosa. No Brasil, por conta das eleições de outubro. No restante do mundo, por obra e graça do espalha-brasas Donald Trump.
A política é uma das áreas de meu interesse e procuro manter-me informado, mas Política com P maiúsculo e não politicagem, da qual muitos brasileiros são especialistas. São sempre as mesmas histórias, os mesmos interesses paroquiais e pessoais, sempre o mesmo compadrismo.
Com as verbas eleitorais, sempre empenhadas em suas bases, em especial nas regiões Norte e Nordeste, os atuais Deputados Federais, Senadores e Suplentes praticamente perenizaram-se no poder, uma vez que sem estas facilidades, os eventuais novos candidatos terão muitas dificuldades para se eleger.
Como consequência, deverá haver pequena renovação na Câmara Federal e no Senado e assim irão para o ralo as esperanças dos brasileiros de que alguma situação irá melhorar, com mais uma eleição, dando razão aos cínicos que costumam dizer: “mudou tudo para continuar na mesma”.
Mas o eleitor também tem sua parcela de responsabilidade nesta história, pois passada uma semana da eleição, a maioria já não se lembra em quem votou para Deputado e Senador. Guarda apenas o nome do candidato a Presidente e o nome do vice-presidente sempre foi ignorado.
Os eleitos, Deputados e Senadores, conhecem bem este universo e sentem-se descompromissados com quem os elegeu, pois sabem que não haverá cobranças.
O Presidente eleito, por suas promessas e por seus compromissos de campanha, levará para o governo uma legião de pessoas despreparadas, que irão cometer uma enormidade de erros até aprenderem o ofício. Além do mais, entre estas pessoas, haverá sempre gente cujo único objetivo é mamar nas tetas do Governo.
Resultado: inchaço da folha de pagamentos e uma infinidade de obras públicas descontinuadas.
E mais duas notas tristes, para piorar o que já está ruim: 1º) o dito popular de que política não é para gente honesta, cria uma nova classe de pessoas, a dos políticos, cada vez mais à vontade e cada vez menos honestos; 2º) mas o pior pode ainda acontecer: o desinteresse da maioria dos jovens pela política.
E assim fecha-se o círculo vicioso: eleitor desmotivado – maus políticos – eleitor mais desmotivado – …. e ao final, pode se dizer, que o Brasil recomeça a cada quatro anos, como se antes não houvesse nada.
Prezada leitora e prezado leitor, meu discurso é sincero e honesto, pois é assim que vejo o Brasil político.
Mas não é original nem exclusivo. Aqui mesmo, na Gazeta, já houve manifestações neste sentido e muitos brasileiros também pensam desta maneira, apenas não tiveram oportunidade, ou não quiseram, levar a público suas convicções.
Divergências sempre haverá e faz parte da boa Política respeitá-las.
Para ser completo, neste meu discurso assim como em tantos outros, falta apontar as causas que nos mantém no que o Brasil é hoje e que ainda não fomos capazes de evitar ou resolver.
O conceituado antropólogo José de Souza Martins, que regularmente escreve para o jornal Valor Econômico, afirma que a polarização política nasceu com o Brasil, quando da criação do primeiro município, o de São Vicente, em 1532, originando os fundamentos da estrutura política da futura nação brasileira.
Naqueles tempos, diz ele, só importavam os habitantes reconhecidos como gente, que tinham alma. Indígenas e negros não eram reconhecidos como gente porque não tinham alma e, portanto, não tinham poder político.
Foi neste universo que começou a polarização da sociedade brasileira.
“A polarização política não será superada enquanto forem eleitos os representantes do atraso social e do retrocesso político”. É o que afirma o antropólogo José de Souza Martins.
O autor acrescenta que há grandes exceções de pessoas decentes e corajosas, empenhadas no bem comum e no progresso político do país.
Do belga Christian Hunt
Encontrei no Estadão, pronunciamento que trata do atraso em que vive o Brasil. O autor é Christian Hunt, belga (originário da Bélgica) que reside no Brasil desde 2004, que se diz empreendedor e investidor. É, portanto, cidadão insuspeito quanto às suas intenções.
Escreve num estilo direto, franco, duro e próprio de alguns países da Europa e tem o olhar crítico que só mesmo um estrangeiro consegue ter. Vem daí meu interesse em ler o que ele escreveu.
Começa dizendo que percebe na sociedade brasileira “uma aceitação silenciosa de que certas condições sociais são imutáveis”.
Faz uma comparação com outros países, lastreadas em dados, como Polônia, Coreia do Sul, Chile, que estão na nossa frente, na economia e bem-estar da população.
Afirma que “o Brasil foi extraordinariamente abençoado: escala continental, recursos naturais imensos, energia renovável abundante, biodiversidade ímpar, sociedade diversa e criativa, mercado interno de mais de 210 milhões de pessoas. São ativos que deveriam colocar o país na série A da economia mundial. Hoje, está longe disso”.
E prossegue: “muitos brasileiros cresceram com a ideia de viver no ‘país do futuro’, como se o destino brilhante fosse garantido” e acrescenta, “não é produtivo procurar culpados, sejam partidos, governos, grupos sociais ou forças estrangeiras. Isto não muda a realidade. A responsabilidade sempre foi e sempre será do povo brasileiro”.
E segue: “para um país com as condições do Brasil, a prosperidade deveria ser consequência natural. Se não veio, é resultado de escolha”.
E termina: “o Brasil está diante de dois caminhos. Pode seguir na mesmice e constatar daqui há 25 anos que a distância dos países mais prósperos virou um oceano. Ou pode se mobilizar, com a mesma energia com que defende sua seleção e fazer acontecer. Como qualquer atleta que almeja o pódio, um país que procura convergir para os melhores, precisa de inspiração, disciplina e persistência”.
E assim, prezados leitores, avaliei que, tendo estas informações, seria oportuno passá-las para vocês. É o que terminei de fazer.
Está na bíblia: Salmo 37:10,11 – Apenas mais um pouco e os maus deixarão de existir. Você olhará para onde estavam e eles não estarão lá. Mas os mansos possuirão a terra e terão grande alegria na abundância de paz.
(Colaboração de José Mário Paro, produtor rural).
Publicado na edição 11.012, sábado a terça-feira, 13 a 16 de junho de 2026 – Ano 102




