
Com a popularização de soluções de inteligência artificial (IA), cada vez mais autônomas e com maior capacidade de produção e decisão, fica evidente que algumas tarefas serão paulatinamente – ou não – substituídas por agentes de IA. Serviços repetitivos, demandas que necessitem análise documental extensa, atividades que precisam rodar 24h por dia/sete dias por semana, todos devem ser modificados por ferramentas de IA, seja pela redução de custos, seja pela eficiência. Com essas mudanças em curso, fica a questão: quais competências e skills o profissional do futuro devera possuir para se manter relevante no mercado de trabalho?
Essa pergunta é, ainda, uma incógnita. Há quem acredite que aquilo que nos torna humanos – a capacidade analítica, o senso crítico sofisticado, a sensibilidade que nenhuma máquina pode copiar – fará com que as pessoas continuem relevantes, potencialmente em funções de gerência de projetos, organização de pessoas e tomada de decisões críticas. Há, também, quem seja mais catastrófico: as soluções de IA substituirão muitas das funções exercidas hoje por humanos, não havendo sentido, em termos de custos, eficiência e celeridade, em insistir na atividade humana em determinadas atividades. Só o futuro indicará quem está correto, ou se teremos uma mistura de ambas as visões.
O que podemos – e devemos – fazer hoje é buscar desenvolver determinadas características e competências, a fim de que sejamos relevantes ao longo dos próximos anos e décadas, seja profissionalmente, seja no mundo em que habitamos. Com as ferramentas e elementos de análise que possuímos hoje, é razoável imaginar que o desenvolvimento e estímulo do pensamento crítico, da capacidade de tomada de decisão com base em cenários e a atuação multidisciplinar e generalista tendem a ser valorizados em um cenário em que máquinas poderão substituir funções repetitivas, entediantes, de baixo valor agregado e com menor potencial de alavancagem operacional e de receitas. É pensamento lógico: o humano será mais caro, mais lento e menos eficiente em determinadas tarefas, inevitavelmente.
Adicionalmente, é factível, hoje, considerar que atividades braçais e que envolvam instalação, manutenção e conserto de máquinas, equipamentos e sistemas continuarão relevantes, mesmo em um mundo dirigido por ferramentas e agentes de IA. Não há, ainda, uma solução de IA no horizonte que substitua um bom encanador ou eletricista, um competente técnico de manutenção de elevadores ou um ótimo mecânico automotivo. São todas funções essenciais para a sociedade, e que, por ora, não podem ser modificadas ou substituídas por soluções de IA.
Assim, parece que, no futuro, as competências e skills mais relevantes e valorizados serão aqueles que envolvam movimento, capacidade analítica e crítica, resolução de problemas complexos, tomada de decisão (especialmente sob pressão e em cenários de alta imprevisibilidade), atuação estratégica e multidisciplinar, visão macro ligando pontos e caminhos, enfim, tudo aquilo que reforce o diferencial humano face às máquinas e sistemas, por vezes eficientes, mas que não conseguem, pelo menos até aqui, replicar ou potencializar nossa capacidade de pensar, criar, decidir, produzir e consertar.
Nesse contexto de pensamento crítico, análise de cenários, visão macro e tomada de decisão em contexto amplo, convidamos você a participar do III Congresso Bebedourense de Meio Ambiente e Agronegócios, que será realizado nos dias 4, 5 e 6 de agosto na OAB/Bebedouro, Unifafibe e Centro de Formação Cooperativa da Credicitrus/Instituto Credicitrus, com inscrições, programação e demais informações no endereço www.cbmaa.com.br. Profissionais de variadas áreas, formações e bagagens debaterão os temas que afligem o agronegócio e o meio ambiente brasileiro e mundial, com capacidade, profundidade e multidisciplinariedade. Venha pensar, debater e se preparar conosco.
(Colaboração de José Mário Neves David, advogado, conselheiro e professor. Contato: jose@josedavid.com.br).
Publicado na edição 11.023, sábado a sexta-feira, 1º a 7 de agosto de 2026 – Ano 102





