‘Amor de Mãe’ traz novo conceito às novelas e precisa da aprovação do público

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Amigas por acaso – Lurdes (Regina Casé) e Thelma (Adriana Esteves) se conheceram por acaso e já emocionaram nas primeiras cenas juntas, como nesta que gravaram na praia. (Artur Meninea/Gshow)

Tudo é diferente, o texto, a direção, a narrativa e a maneira como as histórias dos personagens são apresentadas. ‘Amor de Mãe’ estreou na tela da Globo, na segunda-feira (25), substituindo ‘A Dona do Pedaço’, grande sucesso de Walcyr Carrasco no horário das 21h. A estreia da trama assinada por Manuela Dias e que tem direção artística de José Luiz Villamarin mostrou que o telespectador vai precisar se adequar a um novo tipo de novela que pode reunir todos os clichês de um folhetim, mas mesmo assim classifica-se como um novo estilo.
Novo porque traz uma autora que nunca escreveu novela. Manuela é estreante no estilo, mas carrega uma bagagem muito positiva com as séries ‘Ligações Perigosas’ e ‘Justiça’. Nesses dois últimos trabalhos, a autora obteve êxito fora do comum, o que gerou grande expectativa para a novela. Villamarin também traz em sua bagagem grandes sucessos, a própria ‘Justiça’ em parceria com Dias e também as exitosas séries ‘Onde Nascem Os Fortes’, ‘Nada Será como Antes’, ‘O Rebu’, ‘O Canto Da Sereia’ e ‘Amores Roubados’.
Essa parceria, no entanto, faz com que uma receita muito saborosa se forme com a experiência dos dois em séries. Afinal, aproximar a linguagem da novela, para a linguagem de séries parece uma ideia boa num momento em que o consumo por este estilo cresce sem parar. Para quem acompanhou ‘Justiça’, série de 20 episódios comandada por eles, sentiu referências dentro do primeiro capítulo de ‘Amor de Mãe’ o tempo todo.
O trio de protagonistas também colabora para a boa expectativa colocada em cima da nova novela. Regina Casé volta para o gênero 18 anos depois. Taís Araújo encara um papel dramático às 21h depois de sua última personagem neste horário ser em ‘Viver a Vida’, em 2009. Já Adriana Esteves sempre chama atenção por sua versatilidade. As três se complementam e fazem com que os núcleos paralelos, também muito bem construídos, se desenrolem naturalmente, sem forçar e sem barrigas.
Outro detalhe interessante na trama é como as histórias se cruzam. Para quem assiste ao capítulo com total atenção, consegue perceber como um personagem está ligado ao outro direta ou indiretamente. As histórias se complementam e uma ação tem sempre sua reação em outro fator que culmina em outra ação/reação que vai fechar o ciclo em outro personagem, tudo é redondo, sem buracos, pelo menos por enquanto. Essa fórmula de Manuela Dias funcionou em ‘Justiça’, com 20 capítulos. O desafio é ver se vai dar certo em uma novela com mais de 100.
No mais, ‘Amor de Mãe’ estreou com tudo em cima, sem defeitos, com fotografia atraente, personagens bem construídos, emoção no nível máximo, pois a novela é, acima de tudo, um dramalhão. O tema é amplo demais, falar de mãe é algo que mexe com todo mundo e falar deste amor é algo que toca ainda mais no âmago de cada um. O estilo é diferente e isso é bom, a representatividade do elenco é grande e necessária e a forma como tudo está fluindo pode render bons frutos. Tudo, como sempre, está nas mãos do público para aceitar este novo conceito em novelas. O que falta, até agora, é um gancho mais emocionante para convidar o público a ligar a televisão no dia seguinte. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

 

Publicado na edição nº 10448, de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2019.