Loquinha entrega revolução histórica na representatividade e no gênero das novelinhas com texto e direção bem desenhados

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Lorena e Juquinha atravessaram Três Graças - Loquinha, novela vertical com 25 capítulos prova que representatividade não é tendência, é permanência. Foto: Divulgação/Globo

A estreia de Loquinha nas redes sociais da TV Globo não é apenas mais um experimento de linguagem, mas movimento estratégico que revela para onde a teledramaturgia brasileira pode (e talvez precise) caminhar. A novelinha vertical parte de terreno já fértil: o casal Lorena e Juquinha, que se expande.

Desde o primeiro episódio há compreensão clara de linguagem, ritmo e consumo. Não se trata apenas de adaptar a novela para o celular; trata-se de repensar a novela a partir do celular. E isso muda tudo.

Sob direção de Naína de Paula, o projeto encontra sua identidade mais ousada. A diretora, que já havia antecipado ao Pittaplay o uso de cortes descontínuos, constrói narrativa que dialoga diretamente com a estética das redes sociais: dinâmica, fragmentada e altamente envolvente. O resultado é um fluxo viciante, onde cada episódio cumpre o papel de fisgar e reter. Não há dispersão.

E isso é ainda mais impressionante quando consideramos as limitações do formato vertical. O que poderia ser um entrave técnico se transforma em assinatura estética. Os enquadramentos são pensados para proximidade, para intimidade, para o detalhe. A direção não apenas resolve o problema: ela o ressignifica.

No roteiro, Marcia Prates demonstra leitura afiada do formato. Há ritmo, progressão e consciência de tempo. Escrever capítulos de 3 minutos exige precisão cirúrgica e a autora acerta ao equilibrar conflito, emoção e gancho. Não é versão reduzida da novela tradicional, mas uma nova engenharia narrativa.

No campo das atuações, Gabriela Medvedovski e Alanis Guillen reafirmam a força de Lorena e Juquinha como um dos casais mais relevantes da teledramaturgia recente. Já Daphne Bozaski eleva Lucélia a um outro patamar, enquanto Ingrid Gaigher não tem entrada apenas funcional, ela reabre feridas e amplia o campo dramático.

Mas talvez o maior mérito de Loquinha seja aquilo que, à primeira vista, pode parecer repetição, mas não é: o caráter histórico.

Loquinha é case de linguagem e sinal claro de que a novela ainda sabe se reinventar quando encontra coragem criativa, seja na horizontal ou na vertical.

Publicado na edição 10.999 sábado a terça-feira, 11 a 14 de abril de 2026 – Ano 101