Bebedouro, a terra da fé.

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Cidade das sete paróquias, 20 capelas, dezenas de templos, credos e diversidade religiosa.

Se pudéssemos voltar no tempo, e acompanhar a expansão urbana de Bebedouro, perceberíamos que ela sempre ocorreu aos redor das igrejas cristãs, ponto de união das comunidades, refúgio em tempos difíceis, palco das maiores comemorações, o que ressalta sua importância histórica.
É bela e brava a história da construção da Igreja Matriz de São João Batista, atual padroeiro de Bebedouro. O inusitado é que o primeiro santo protetor do município, foi São Sebastião, substituído após plebiscito.
No coração de Bebedouro há espaço para a devoção de muitos santos: Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Graças, São José, São Judas Tadeu, São Pedro Claver, Sagrado Coração de Jesus, Santo Expedito, Santa Terezinha, Santa Luzia, Divino Espírito Santo, Cristo Rei, Santo Antônio, São Benedito e o único brasileiro canonizado, Santo Antonio de Sant’anna Galvão, o Frei Galvão. Estão todos representados nas sete paróquias e nas 20 capelas, a cidade, distritos, povoados e até a zona rural.
A força da fé fez católicos, de todas as classes, unirem-se para erguer a histórica Igreja Matriz de São João Batista. Da Espanha, veio o religioso monsenhor José Figuls, acompanhado do irmão, responsáveis pela construção de outras quatro igrejas, com arquitetura peculiar, que relembram sua infância européia e sua devoção.
Não há como não se emocionar com o esforço coletivo de comunidades inteiras que aos finais de semana, abriam mão do descanso, incentivados por padre José, ao colocarem de pé igrejas e capelas, sem necessidade de realizar tantas festas para arrecadação. Com seu jeito simples, soube conquistar o coração e os recursos de pessoas com poder aquisitivo e poder de decisão. E agora, praticamente aposentado, o religioso leva vida modesta, prova contundente de que leva à risca os votos do sacerdócio, pensando muito mais nos outros, nunca em si. Exemplo vivo a ser seguido.
Neste suplemento, contaremos também dos pioneiros presbiterianos, que construíram uma das igrejas protestantes mais antigas do interior de São Paulo. Há também os evangélicos da Igreja Congregação Brasil para Cristo, com seus fiéis sempre elegantes homens vestindo ternos e mulheres trajando impecáveis vestidos além dos joelhos, para os cultos nos fins de semana.
A arquitetura moderna e a teologia contemporânea se fazem representar na Igreja Nova Aliança, com acústica perfeita para os cantos gospel que tanto encantam e fazem sucesso na mídia.
Sejam católicos, protestantes, evangélicos, espíritas, credos orientais ou afro-brasileiros, a fé do bebedourense não fica restrita às quatro paredes de seus locais de reflexão. Basta olhar para a postura sempre solidária dos habitantes desta terra abençoada que sempre fazem questão de ajudar o próximo. O bebedourense compreendeu bem o texto do Novo Testamento, a Carta de Paulo a Tiago, em que é questionada a fé sem obras. A crença de nosso povo é vela acesa que guia nossa diocese, nossa região e uma parte de nosso País, para o caminho correto do respeito à diversidade religiosa.

Publicado no Suplemento Especial de Final de Ano, edição nº 9639, dos dias 24 a 27 de dezembro de 2013.