Bebedouro vacinou 41% da população com 1ª dose contra Covid

Caso de pessoa que conseguiu revacinar-se com 2 diferentes imunizantes vira processo judicial. Ministério da Saúde considera “vacinação cruzada” um erro.

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Adesão – Mil doses foram recebidas para atender o público de 46 anos, na terça-feira (29), para vacinação contra Covid-19, em horário diferente, das 16h às 20h.

A semana começou com vacinação em Bebedouro, para o público de 47 anos. A data havia sido anunciada na semana passada, antes do feriado prolongado, e confirmada pela Prefeitura no fim de semana. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 730 pessoas foram vacinadas na segunda-feira (29), no posto fixo de vacinação contra Covid, na Feccib. Outras mil doses eram esperadas para terça-feira (29), porém, até o fechamento desta edição, a vacinação não havia se encerrado.

Até o momento, 31.763 moradores de Bebedouro já receberam a 1ª dose da vacina contra Covid-19, o correspondente a 40,96% da população. Já com as duas doses foram 12.312 habitantes, correspondente a 15,88% dos bebedourenses que estão com cronograma vacinal completo.

Para os próximos dias, ainda não há previsão de novos públicos a serem vacinados. De acordo com a Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica, o envio de lotes de imunizantes, pelo Estado, é aguardado ainda esta semana, porém, sem data definida.

Revacinação – Em entrevista à RB FM, na manhã de segunda-feira (28), abordando a vacinação, o prefeito Lucas Seren lamentou que duas pessoas haviam tentado revacinar-se com imunizantes de laboratórios diferentes do que haviam recebido na 1ª dose, porque, segundo elas, “queriam vacina de outro laboratório”.

A coordenadora da Vigilância, Thais Teixeira, explica que todos os cadastros de pessoas vacinadas são inseridos no ‘VaciVida’, sistema do Governo do Estado de São Paulo e, a partir do momento em que os documentos são inseridos no sistema, ele acusa se aquela pessoa já havia sido vacinada, em que dia e com qual vacina. “No primeiro caso, assim que o sistema apontou que uma dose de outro imunizante já havia sido ministrada à pessoa, pedimos que se retirasse do recinto. Porém, no segundo caso, devido a uma falha no sistema, a pessoa conseguiu se revacinar com imunizante diferente”, conta Teixeira.

A coordenadora detalha que o ‘VaciVida’ é 100% digital e, nem sempre, é possível inserir todos os dados dos vacinados em tempo real: “como toda plataforma virtual, pode travar, ficar fora do ar ou sofrer lentidão, dependendo de quantas pessoas estejam acessando o sistema simultaneamente. Por isso, alguns cadastros são inseridos no sistema posteriormente”, justifica, acrescentando que, foi em meio a estes problemas, que uma pessoa conseguiu se revacinar. “Só depois, quando fomos inserir o cadastro completo, é que o sistema acusou duplicidade de documentos. Diante desta situação, entraremos com processo judicial contra esta pessoa. É ilegal que alguém tenha direito a receber mais de um tipo de imunizante, pois todos têm a mesma função que é imunizar”, conclui Teixeira.

Segundo o Ministério da Saúde, a “vacinação cruzada”, termo usado em referência à aplicação de duas doses de diferentes laboratórios, é considerada um erro, e quem recebe fórmulas de laboratórios distintos não pode ser considerado imunizado. A pasta justifica que não há testes finalizados sobre a mistura de imunizantes, então, não é possível saber a proteção de uma pessoa que recebe duas vacinas diferentes, nem os efeitos colaterais que isso possa causar.

A orientação das próprias fabricantes de vacinas aprovadas para uso no Brasil, é que não haja combinação diferente de produtos.

Sommelier de vacinas – O fenômeno “sommelier de vacinas”, como vem sendo chamado por especialistas de saúde e sociólogos, teve início após a chegada da Pfizer ao Brasil, no fim de abril, fazendo com que parte dos brasileiros aptos a vacinarem-se recusem outros imunizantes, como Coronavac ou AstraZeneca. Dentre os principais argumentos estão a eficácia maior da Pfizer, o fato dela ser aceita no exterior e a baixa probabilidade de reações adversas. Além disso, circulam nas redes sociais, falsas notícias sobre a eficácia das vacinas. Para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todos os imunizantes que passaram por testes de comprovação de segurança e eficácia contra o vírus estão aptos a serem aplicados, portanto, não há motivos para escolher qual tomar.

Algumas cidades, como São José do Rio Preto, aderiram a um “termo de recusa” a ser assinado por aqueles que estejam aptos a se vacinar, mas recusem o imunizante que está sendo ministrado para seu grupo. Segundo Thais Teixeira, em Bebedouro, são poucos os que recusam vacinas, por isso, medidas como esta não são necessárias até o momento, porém, podem ser estudadas, caso o número cresça.

Publicado na edição 10.589, de 30 de junho a 2 de julho de 2021.