Campo e a cidade pedem socorro

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Sempre fomos dependentes da terra fértil  porque a chuva era certa.

A estiagem mais longa da história em décadas sobre o clima bebedourense, traz com ela problemas nunca vividos. A mais baixa umidade do ar, 12,5%, registrada no domingo (10), equivale à medição do clima desértico menos úmido do mundo, o de Atacama, nos Estados Unidos, cuja umidade relativa vai de 11,5% a 12,5%.
Sem previsão de chuvas até outubro, o uso racional da água virou a principal lição de casa para todos. No Brasil, a média de desperdício de água começa bem antes de ela chegar às torneiras e é da ordem de 37%. Nos países mais desenvolvidos, esse número cai entre 12% e 17%. Em Bebedouro, segundo o Saaeb, esse número beirava os estratosféricos 60%. Hoje o desperdício caiu para 46%.
A falta de infraestrutura é limitante, mas cada cidadão pode fazer um pouco. São hábitos simples que podem ser modificados como, varrer calçadas ou passar pano no chão, ao invés de lavá-los, reutilizar a água que a máquina de lavar devolve, e tantos outros, cujos resultados vão garantir que Bebedouro não vá juntar-se aos 2,1 milhões de paulistas sob racionamento, o que equivale a 1 em cada 20 habitantes do estado de SP.
Aqui em Bebedouro temos multas para os desperdiçadores, mas isso não é suficiente. Precisamos nos conscientizar do valor da água para a sobrevivência do homem. Muito além do que pagamos mensalmente por ela na conta.
Falamos das necessidades da água nas cidades. Mas, e no campo? O Brasil cultiva 76 milhões de hectares, apenas 9% do território nacional. E, mesmo assim, somos os maiores exportadores em agronegócios. Mesmo sem aumentar a área cultivada, conseguimos através da tecnologia, produzir mais e mais. E o potencial de crescimento da produtividade do Brasil ainda é o maior do mundo, 40%. Países grandes como China, Índia, Rússia têm potencial de crescer somente 26%, segundo a FAO, braço da ONU para a área da alimentação. Somos líderes em produção de alimentos em clima tropical. E para tudo isso, precisamos de água.
Pense nisso, antes de jogar fora aquela que vai lhe fazer falta.

Publicado na edição nº 9731, dos dias 12 e 13 de agosto de 2014.