Caso Rodotruck/Hélio Bastos

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Candidato tentou processar a Gazeta por causa de reportagem, mas perdeu na Justiça. Ele recorreu.

 

Marco Antonio dos Santos 

Este mês fiz uma reportagem para a Gazeta sobre o fato do candidato a prefeito Hélio Bastos (PDT) receber doação da empresa Rodotruck. Dois sócios proprietários foram detidos em 2010 por suspeita de participação em um esquema de fraudes em licitações públicas. Eles foram presos junto com assessores do prefeito João Batista Bianchini (PTB), o Italiano, numa mega ação policial chamada de Operação Cartas Marcadas.
Na empresa Rodotruck – empresa especializada em implementos para caminhões – foram apreendidos por policiais, computadores, documentos, notas fiscais e até placas de obras de uma construtora criada pelos sócios da empresa, em 2009 – primeiro ano de gestão de Italiano – para participar de concorrência de obras públicas.
A doação estava na página de prestação de contas dos candidatos que fica a disposição para consulta pública, no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lá também está registrada a doação de Aldo José Gagliardi, ex-assessor de Helio, detido por suspeita de participação em outro esquema de fraudes, em compra de remédios para o Hospital Municipal, quando era diretor de Compras da Prefeitura. Ele também esteve preso a pedido do Ministério Público.
Pode amanhã, os sócios da Rodotruck e Aldinho provarem na Justiça, a inocência nos dois supostos esquemas. Mas até que isto seja julgado, todos são suspeitos, conforme conclusões dos inquéritos policiais.
Há duas semanas, a assessoria jurídica de Hélio Bastos entrou com ação judicial contra a Gazeta por causa da reportagem. E mais, nos comícios do PDT e PT houve grosseiros ataques à Gazeta. Na terça-feira, o candidato perdeu a ação na Justiça, e recorreu. Vamos aguardar…
Tenho orgulho de dizer que tenho com a Gazeta espaço para fazer jornalismo investigativo. Esta é a tradição de um jornal que também está acostumado a ser atacado nos últimos anos, sempre quando publica uma reportagem que incomoda.
Nenhuma reportagem seria publicada, se o candidato tivesse o cuidado de não receber estas doações. Não é pré-julgamento dos envolvidos, mas apenas cautela que alguém deve ter, por pretender cuidar da máquina administrativa, tendo obrigação de evitar qualquer suspeita. É isto que se espera, principalmente, de quem tem tanta experiência política.
A Gazeta tem respeito com todos os envolvidos, mas acima de tudo, tem o compromisso firmado com cada um dos leitores de publicar a verdade. Doa a quem doer.

(Colaboração de Marco Antonio dos Santos, jornalista).

 

Publicado na edição n° 9456, dos dias 29 e 30 de setembro e 1° de outubro de 2012.