Chegou a nossa vez

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Depois de recebermos informações diárias da calamitosa falta d’água nos reservatórios que abastecem as cidades do interior de São Paulo, principalmente em nossa região, enfim chegou a vez de Bebedouro.
Além da escassez das chuvas, com o mês de janeiro menos chuvoso dos nada menos que os últimos 80 anos, fizemos de conta que aqui, o problema não existia, fazendo valer o nome da cidade: BEBEDOURO, jorrando torneiras, mangueiras, chuveiros, como se nossa água fosse infinda. Calçadas, sarjetas, até o asfalto, carros, carretas, até os caminhões, nada foi poupado e tudo foi aguado. Agora, o desperdício virou racionamento, e em algumas horas das tardes não haverá fornecimento.
O que não se discute mais é que estamos vivendo o mais terrível período de estiagem. Também é indiscutível a necessidade de adquirirmos consciência coletiva. Não dá pra pensar no “Eu” com tantos “Eles e Elas” a usufruir da mesma Terra.
Que planeta deixaremos para filhos e netos? Enquanto alguns países já alcançaram a visão do futuro, nós, aqui no Brasil, só vemos o hoje.
Na Califórnia, por exemplo, proprietários de carros circulam com seus veículos sujos como troféus do uso responsável da água. Enquanto isso, no Brasil, e em Bebedouro não é diferente, gasta-se milhões e milhões de litros para mantê-los brilhantes. Um simples aspirador de pó resolveria o problema da sujeira interna.
A Gazeta em sua Campanha da Cidadania tem publicado flagrantes do desperdício. Um destes desperdiçadores, descontente com o título, descarregou impropérios à nossa porta, argumentando que pagava pelo que gastava de água, inconsciente que o valor dessa água vai muito além do que pagamos por ela, sendo vital para a sobrevivência do homem na Terra.
Indiferente às ofensas recebidas, a Gazeta vai continuar atenta, dando sequência à sua campanha que reporta os maus exemplos, mas exalta as boas práticas.
Uma delas foi da senhora de 90 anos, que varria sua calçada, com vassoura e lixeira, consciente que sua atitude beneficiaria outros. Tão altiva que provocou uma verdadeira revolução na redação, quando a convidamos para uma entrevista.
Sua fala mansa, sua sabedoria e sua simplicidade, silenciaram as vozes, apagaram os computadores. Todos pararam literalmente para ouvi-la. A emoção foi inevitável.
Obrigada dona Zuleica. (leiam a entrevista no Gente)

Publicado na edição nº 9736, dos dias 23, 24 e 25 de agosto de 2014.