Cidades: perspectiva promissora

José Renato Nalini

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O município é entidade federativa. Essa condição tem significado e precisa produzir efeitos numa fase em que o Brasil retrocede em inúmeros índices de desenvolvimento.

Em tempos de múltiplas crises, o brio nacional deve buscar alternativas que compensem a falta de diretriz das políticas públicas federais. Ser considerado pária ambiental faz o prestígio do Brasil no concerto das Nações não ser aquele proclamado pelo ufanismo patriota. Mas as cidades podem atuar de forma autônoma e compensar as perdas reputacionais de manifesta evidência.

A OCDE está aberta para projetos municipais, assim como estaduais, não apenas para iniciativas federais. Em recente encontro com o seu dirigente Angel Gurria, à frente da organização há quinze anos, em três consecutivos mandatos, isso ficou bem claro. A OCDE, que congrega 38 países e que fornece ao mundo orientação em vários temas, desde o ecológico ao educacional, age de acordo com o interesse dos parceiros.

Basta um projeto interessante e ela está pronta a atuar, para ajudar a desenvolver propostas que promovam um salto qualitativo na governança e representem uma esperança de retomada de um crescimento sustentável.

O Brasil tem cerca de seis mil municípios. Cada um deles tem uma vocação singular e abre-se promissora perspectiva de obter um apoio de excelência para explorá-la de maneira a elevar o nível de vida de seus habitantes. Se a Amazônia está sendo destruída – e abril mostrou desmatamento mais uma vez recorde, a comprovar que a boiada já foi solta e fez estragos irrecuperáveis – não estão impedidas as cidades de reflorestar suas áreas ociosas.

Educação é também aquilo que pode transformar o país. Ideias de aprimoramento do ensino e aprendizado podem ocorrer no âmbito local, não precisam, necessariamente, obter escala nacional.

E como chegar à OCDE? O melhor caminho é recorrer ao IEA – Instituto de Estudos Avançados da USP, cuja proximidade com a OCDE ficou evidenciada na recente visita virtual de Angel Gurria àquela instituição que honra a Universidade de São Paulo e representa uma injeção de ânimo para todos aqueles que se desalentam com tanta imperícia – ou má-fé – em setores que deveriam cuidar da saúde do Brasil e dos brasileiros.

(Colaboração de José Renato Nalini, Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022).

Publicado na edição 10.585, de 12 a 15 de junho de 2021.