Ciências e Tecnologia, 18 anos de vida

Wagner Zaparoli

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Estamos em festa. A coluna Ciências e Tecnologia está completando 18 anos de vida nesse mês de fevereiro. Começamos essa jornada incrível no verão de 2002 com a publicação do primeiro artigo que trazia a história de Mileva Maric, iugoslava nascida em 1875, mas pouco conhecida do público em geral a não ser pela particularidade de ter sido esposa de Albert Einstein e mãe de seus dois filhos.
Nesses dezoito anos conseguimos levar aos leitores da querida Gazeta quase 600 artigos sobre os mais variados temas relacionados à ciência e à tecnologia. Além dos artigos, a coluna foi pauta de congressos internacionais sobre divulgação científica, fez parte de capítulos de livros, gerou insumos para publicação de dois livros que foram distribuídos gratuitamente para instituições de ensino e, estimulou a criação de um projeto social – o Projeto Ler – que arrecadou mais de dois mil livros junto a ilustres patrocinadores da iniciativa privada, distribuídos a instituições de ensino cuja missão maior era levar o conhecimento e a cultura científica a seus alunos.

Ciência das revoluções
Não fosse a influência da ciência provavelmente o homem ainda estaria desempenhando o primitivo papel de catador-coletor, vivendo nas cavernas e preocupando-se somente em obter o alimento do dia seguinte. O domínio do fogo foi um dos fatores decisivos que iluminou o cérebro do Homo sapiens elevando-o a um nível de inteligência que o diferenciou dos demais animais. Em sua jornada de alguns poucos milhares de anos os sapiens saíram das trevas para conquistar o espaço. Quem assistiu ao filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço sabe do que estou falando.
E essa jornada foi marcada por algumas revoluções. No período neolítico, há cerca de 10 mil anos, ocorreu a primeira delas – a revolução agrícola – que transformou o homem coletor no homem sedentário, apegado à terra e ao cultivo de cereais, como o trigo e a cevada. Foi através dessa revolução que a humanidade encontrou os meios para se expandir e dominar as regiões mais remotas do planeta.
Dando um salto para a era cristã, a humanidade vivenciou no século 18 uma das maiores transformações de sua história quando viu a produção manual perder força para a produção mecanizada, sustentada pelas máquinas a vapor. Já no século 20 a introdução da eletricidade nas linhas de montagem e a invenção do telefone foram os grandes marcos. Nos recentes anos 1970, o mundo assistiu a troca da tecnologia analógica pela digital. A invenção dos computadores permitiu enormes ganhos de produtividade e cunhou o famoso termo “era da informação”.

Realizações e promessas para o século 21
Já vivemos praticamente duas décadas do século 21. Tanto ciência quanto tecnologia continuam evoluindo velozmente. A exploração espacial é um bom exemplo. A missão Kleper lançada pela NASA em 2009 já catalogou mais de 2.600 exoplanetas. Em 2012, o robô Curiosity descobriu evidências de rios, lagos e até mares em Marte. Para esse ano estão previstas ao menos três missões para o planeta vermelho, cujos objetivos focam na possível existência de vida extraterrestre.
Pelo lado da saúde observamos novos tratamentos para o câncer. Um deles se destaca, e tem como base a imunoterapia que consiste em obter as células do sistema imunológico, modificá-las, tornando-as mais bem armadas, e recolocá-las no organismo para que possam detectar e atacar as células cancerígenas.
Já na arqueologia, em 2010, um grupo de cientistas analisou o DNA de um osso e um dente de um humanóide descoberto na Sibéria. Interessante dessa descoberta é que esse humanóide não pertence nem ao grupo dos homens modernos e nem ao dos neandertais. Foi chamado de denisovano, em referência à caverna Denisova onde foi descoberto.
No Brasil, a corda é bamba!
Em janeiro, o Brasil reinaugurou a base brasileira para pesquisas na Antártida. Com investimentos de cerca de 100 milhões de dólares, a nova base vai permitir que cientistas realizem estudos nas áreas de biologia, oceanografia, glaciologia, meteorologia e antropologia. Uma vitória para a ciência brasileira.
Por outro lado, a educação continua definhando. Tanto o ensino fundamental quanto o médio são verdadeiras calamidades. Definitivamente os professores, ponto de inflexão na equação da evolução da sociedade, continuam completamente marginalizados, sofrendo um desrespeito recorrente dos governantes que teimam em não reconhecer o seu verdadeiro valor. Uma vergonha nacional!
Nós, da coluna Ciências e Tecnologia, continuamos a postos acompanhando bem de perto a jornada do homem, da ciência e da tecnologia no século 21, sempre ao lado de nosso iluminado leitor, a razão de nossa existência.
Que tenhamos, todos nós, uma boa jornada!

(Colaboração de Wagner Zaparoli, doutor em ciências pela USP, professor universitário e consultor em tecnologia da informação).

 

Publicado na edição nº 10466, de 22 a 28 de fevereiro de 2020.