Com 100% de ocupação de leitos, Bebedouro restringe medidas

Preocupação com a situação epidemiológica faz Prefeitura suspender aulas presenciais na rede municipal.

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*Leitos de UTI do SUS (Sistema Único de Saúde). Fonte: Simi-SP/Prefeituras Municipais

Bebedouro tem 3.947 pessoas infectadas pela Covid-19 desde março de 2020, segundo boletim epidemiológico de terça-feira (9). Destes, 3.444 residem em Bebedouro e 503 em cidades da microrregião. O boletim aponta ainda que 3.785 pacientes já estão recuperados (3.287 de Bebedouro e 498 da região) e 71 pessoas estão infectadas, cumprindo isolamento domiciliar. Outros 28 estão sob suspeita da doença. Os óbitos em decorrência da Covid-19 subiram para 91, com mortes de três mulheres, no Hospital Estadual, com idades de 55, 62 e 34 anos.

A ocupação de leitos em Bebedouro, no Hospital Estadual, está em 100%, com 20 pacientes em estado grave. Já na Unimed, quatro dos 11 leitos estavam ocupados (36%). Há ainda cinco bebedourenses em UTIs de Barretos. Segundo o prefeito Lucas Seren, o Codevar reuniu-se neste fim de semana, para definir medidas conjuntas de combate à Covid-19, dentre elas, o reforço do pedido de novos leitos para a região.

As internações em enfermarias somam 33: 20 pessoas estão no Hospital Estadual, cinco no Municipal e oito na Unimed. Todos estes ainda não constam do total de infectados.

Prefeitura suspende aulas

Atenta ao aumento de novos casos e óbitos, não somente em Bebedouro, mas em toda região, a Prefeitura de Bebedouro determina a suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, de 9 a 19 de março. Esta decisão foi tomada de forma conjunta, com o Codevar.

Para facilitar o trabalho dos professores durante as aulas remotas, a Secretaria de Educação adquiriu 270 notebooks para as 270 salas de aula da rede municipal de ensino, da educação infantil ao fundamental. O investimento de R$ 1 milhão inclui adaptação do sistema de internet das escolas e roteadores mais potentes.

Protocolo médico

A Gazeta recebeu denúncia, no fim de semana, de que uma paciente com suspeita de Covid-19 foi até o pronto Atendimento de Sintomas Gripais, na UPA 24h, onde recebeu do médico receita de Azitromicina, Hidroxicloroquina e Ivermectina, sendo os dois últimos com eficácia não comprovada contra o vírus. Segundo a paciente, o médico que a atendeu alegou ser “protocolo da UPA, para casos suspeitos”.

Procurado pela Gazeta, o gestor técnico da UPA, Giovani de Carvalho Silva, garante que o procedimento não é protocolo da unidade: “é preciso analisar o momento da consulta, ou seja, quais sintomas a paciente relatou ao médico, para verificar se os medicamentos são indicados ou não. A UPA segue os protocolos do Ministério da Saúde, que tem como principal critério, a conduta médica em indicar aquilo que julgar necessário para cada caso”, justifica o gestor.

Silva indica que, nestes casos, os pacientes manifestem-se à gestão da UPA, apontando possíveis irregularidades a serem investigadas: “se for constatado que o médico agiu por ideologia, não por conduta médica, poderá ser penalizado”.

Publicado na edição 10.561, de 10 a 12 de março de 2021