Com lotação de leitos, paciente de Bebedouro é transferido para região de Franca

Prefeito Lucas Seren destaca preocupação com situação epidemiológica do município e relata dificuldades para abertura de leitos de UTI.

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Mão na massa – Empenhada no combate à Covid-19, a secretária de Saúde, Silvéria Larêdo, acompanha de perto as ações de contenção ao vírus, desde a vacinação até o encaminhamento de pacientes para UTIs de outros municípios. (Divulgação)

Bebedouro tem 3.872 pessoas infectadas pela Covid-19 desde março de 2020, segundo boletim epidemiológico de sexta-feira (5). Deste montante, 3.374 residem em Bebedouro e 498 moram em cidades da microrregião, mas foram diagnosticadas em hospitais locais.
O boletim aponta ainda que 3.712 pacientes já estão recuperados do vírus (3.225 de Bebedouro e 487 da região) e 72 pessoas estão infectadas, cumprindo isolamento domiciliar. Outros 44 bebedourenses estão sob suspeita da doença, aguardando resultados de exames laboratoriais.

Os óbitos em decorrência da Covid-19 subiram para 88, com mortes na quarta e na sexta (3 e 5) de mulheres: a primeira, 90, faleceu no Hospital Estadual; a segunda, 62, faleceu na Unimed. Ambas possuíam diabetes e hipertensão.

A ocupação de leitos em Bebedouro, no Hospital Estadual, está em 100%, com 20 pacientes em estado grave. Já na Unimed, quatro dos 11 leitos estavam ocupados (45%). Há ainda cinco bebedourenses em UTIs de Barretos e um em Ipuã. Segundo a secretária de Saúde, Silvéria Larêdo, a falta de leitos SUS na regional de Barretos causaram a transferência de um paciente de Bebedouro para Ipuã, pertencente à região de Franca: “As cidades da região que recebem pacientes de UTI, Barretos, Bebedouro e Olímpia, estão lotados e, por isso, quatro pacientes foram transferidos daqui para Ipuã, porém, apenas um é residente em Bebedouro. Mas três, que aguardavam aqui, são de cidades da região”, diz Larêdo.
As internações em enfermarias somam 32: 15 pessoas estão no Hospital Estadual, seis no Municipal e 11 na Unimed. Todos estes ainda não constam do total de infectados.

Prefeito preocupa-se com situação epidemiológica
“A situação da pandemia em Bebedouro é tão preocupante, quanto no Estado e no país”, lamenta o prefeito Lucas Seren, em entrevista a Gazeta, em que analisa a postura do Governo de São Paulo no enfrentamento da pandemia e a situação da região, diante do aumento de contaminações.

De acordo com o prefeito, “há uma dinâmica quase natural, do movimento de circulação do vírus, que chegou a seu estágio crítico em decorrência, inclusive, das novas variantes, que são mais persistentes e agressivas até com os mais jovens, aumentando a lotação das UTIs dos hospitais. Diante desta realidade, concordo com a posição do Governo de São Paulo, que não existe fórmula mágica ou alguém que tenha resposta definitiva para o problema da pandemia. A verdade é quando ‘o bicho pega’, todos optam pelo isolamento social e pela restrição, para reduzir a circulação de pessoas e, consequentemente, a circulação do vírus.

Neste momento, é o melhor a ser feito, porque nossa prioridade é salvar vidas”, destaca Seren, acrescentando concordar com a regressão de todo o estado de São Paulo para a fase vermelha, com restrição de circulação, “porque enquanto a vacina não estiver disponível para todos, é preciso remediar o problema e a maneira adotada no mundo todo como sendo a mais eficiente é o isolamento”, continua.

Preocupado com a situação da região de Barretos, que inclui Bebedouro, o prefeito ressalta que a cidade desempenha papel na microrregião, atendendo as cidades menores: “ficamos vulneráveis, em termos de números, porque atendemos a região como um todo. Mas temos trabalhado junto ao Codevar, para criar ações conjuntas e resultados melhores para todos”, garante.

Seren conta que participou da reunião com o governador e mais de 600 prefeitos de municípios paulistas, e praticamente todos estão em situação difícil, mas apoiam a posição do Estado, que visa a redução da contaminação, abertura de vagas em leitos de UTI e ganho de fôlego para seguir adiante, até que a vacina esteja disponível para todos.

Para Bebedouro, o prefeito garante que há planos para aumentar o número de leitos no Hospital Estadual, mas o Estado tem encontrado entraves relacionados à falta de insumos e profissionais. “Se abrirmos hoje, 10 leitos de UTI, não encontraremos no mercado oxigênio para manter estes leitos. Esta é a dificuldade do país todo. Os estados têm recursos destinados para abertura de leitos, mas há falta de recurso humano e material, em especial, de oxigênio”, lamenta Seren, garantindo que o município e o Codevar continuam buscando a abertura de novos leitos para a DRS-5.

Alteração de horário de restrição
Em novo decreto publicado pela Prefeitura Municipal no fim da tarde de sexta-feira (5), Bebedouro define que adequará seu horário de restrição de circulação ao mesmo período determinado pelo Governo de São Paulo, das 20h às 5h. A alteração passa a valer a partir da 0h de sexta-feira (5) para sábado (6) e segue até 19 de março.

Educação mantém aulas não obrigatórias
A Secretaria Municipal de Educação determina que retorno às aulas presenciais segue de forma optativa aos alunos da rede pública municipal, seguindo protocolos de segurança. A previsão é que as aulas passassem a ser obrigatórias a partir de segunda-feira (8), porém, com a situação epidemiológica do município e da região, houve alteração. “Até o presente momento nenhum caso de contaminação foi registrado. A frequência está limitada à capacidade máxima de 25% dos alunos matriculados e a presença seguirá facultativa enquanto estivermos nas fases mais restritivas da pandemia. Os alunos que optarem pelo ensino remoto terão o acompanhamento virtual pela plataforma”, garante o secretário da pasta, Hélio dos Santos Souza.

Academia é multada por descumprir decreto
No início da noite de terça-feira (2), a Guarda Civil de Bebedouro recebeu a denúncia de que academia da região central estaria recebendo alunos para atividades e treinos esportivos, contrariando decretos municipal e estadual, que impedem o funcionamento de academias, para reduzir a contaminação pela Covid-19.

A GCM, junto da equipe de fiscalização, identificou oito alunos, juntos, realizando exercícios na parte externa do prédio, onde não era possível visualizar pela fachada. O proprietário da academia foi autuado, multado e teve seu estabelecimento lacrado.

Publicado na edição 10.560 de 6 a 9 de março de 2021.