Com mais idade e qualidade de vida

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Tendência de envelhecimento da população vai obrigar governantes repensarem as cidades.

As últimas pesquisas do IBGE demonstram a tendência de envelhecimento da população, causada pela queda da taxa de natalidade. Há décadas, forçados pelas condições financeiras, famílias têm apenas um filho, o que inverteu a pirâmide social brasileira.
Aponta-se para o futuro do Brasil, cópia do panorama europeu, em que o envelhecimento da população causou até déficit na mão de obra.
Felizmente, as pessoas estão chegando aos 60 anos, com mais saúde e padrão melhor na qualidade de vida. Há casos daqueles que adiam a aposentadoria, ou que já aposentados, mantêm-se no mercado de trabalho.
Exatamente neste ponto reside um dos problemas da terceira idade, porque o natural seriam que os filhos cuidassem dos pais idosos. Porém, como todos estão trabalhando, criou-se a profissão que está em alta, a de cuidadores de idosos, inclusive com oferecimento de cursos técnicos para capacitar interessados.
De acordo com a coordenadora do IBGE de Bebedouro, Eva Neide Ragozoni, o envelhecimento da população também está criando cidade de repousos, como Taiaçu, onde os mais jovens migraram para grandes centros em busca de emprego e o município ficou somente com os idosos, visitados nos finais de semana ou feriados.
Cidades pequenas também são as preferidas pelas pessoas que viveram por anos em metrópoles e ao aposentar-se resolveram desfrutar do bom padrão de vida dos municípios como Bebedouro.
Um fator preocupante é a redução da quantidade de quem contribue com a previdência social e o aumento dos beneficiários, ou seja, dos aposentados. Esta equação financeira complicada obrigará em breve, aos governos, elevar a idade mínima para ter direito ao beneficio.
Tudo isto vai exigir políticas públicas na criação de geriátricos, estruturas adequadas para a terceira idade. Mais médicos geriatras, clínicas de ginástica e alimentação equilibrada.
A América Latina jovem produziu décadas de irresponsabilidade política e social, enquanto a Europa amadurecida, evoluiu. Quem sabe quando boa parte da população brasileira atingir esta faixa etária, as escolhas políticas sejam mais racionais e menos eleitoreiras.
A única dúvida que paira na cabeça de todos é sobre o comportamento dos jovens de hoje. Tão imediadistas e individualistas, sem transparecer que assumirão a responsabilidade de cuidar dos seus mais velhos, não só emocionalmente, mas agindo com respeito e humildade na hora de ouvir e aprender com a experiência.
Que o Brasil, composto com mais senhores e senhoras, representados pelos senadores, cargo político dos mais experientes, seja um país melhor.

Publicado na edição nº 9715, dos dias 5, 6 e 7 julho de 2014.