Salve-se quem puder

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Antonio Carlos Alvares da Silva

Durante todo o governo Dilma, sua equipe econômica insistiu na tecla, que as dificuldades do Brasil decorriam da crise mundial. Neste ano, porém, diversas agências econômicas internacionais declararam, que a crise brasileira tinha como causa a má administração pública. O PT aparelhou a máquina pública, nomeando apenas agentes do partido e dos partidos aliados, sem levar em conta a capacidade administrativa deles. E aumentou muito o número de funcionários comissionados e também dos funcionários efetivos em geral, assim como, os respectivos salários, sem considerar a capacidade do orçamento do governo. Resultado: A despesa aumentou muito acima da arrecadação. Isso fez com que a dívida brasileira seja muito maior, que a de todos países emergentes. Esse desequilíbrio está trazendo de volta um fantasma, que assombra o povo: a inflação não para de crescer. Embora alguns índices sejam manipulados, ela está maior, que a de todos os outros países na nossa situação. No inicio, o dinheiro da Bolsa Família e do crédito fácil deram uma sensação de melhoria em grande parte da população pobre e o governo gozou de grande prestígio. Também ajudou a diminuição de impostos sobre os bens de consumo – autos e eletrodomésticos – estimulando seu consumo. Consumir, comprando a credito, deixou grande parte da população feliz. Porém, a conta chegou e muitos não conseguiram pagar suas dividas. Essas bondades fizeram a despesa do governo aumentar mais que a receita, fazendo crescer a dívida pública, que já ultrapassa vários trilhões. O grande problema dessa situação é, que o governo paga juros dessa dívida. Ele não pode deixar de pagá-los, porque os credores desses juros são os poupadores brasileiros, como os titulares de caderneta de poupança, FGTS e de letras imobiliárias usadas para financiar a casa popular. No começo, para que sua dívida não aumentasse, sem parar, estabeleceu uma quota da arrecadação, para pagar esses juros. Mas, como os gastos não pararam de aumentar, o governo inventou expedientes, para apresentá-la, como estável. O mais conhecido foi considerar, como receita, valores que ele espera receber nos anos futuros das empresas estatais (Petrobras, Eletrobrás, Usina Itaipu etc.). Esse expediente não passa de uma fraude. Ninguém pode pagar juros, com aquilo, que só receberá no futuro. Esse expediente tem outra desvantagem: Torna atual uma dívida futura. Isso desvaloriza o valor das ações dessas empresas. Coisa semelhante aconteceu agora com a Petrobras: O governo cobrou 2 bilhões de reais da empresa pelo direito de exploração dos poços de petróleo do pré-sal, que ela só começará a explorar daqui alguns anos. As ações da empresa desvalorizaram 13 bilhões em um só dia. Aliás, essa estória do pré-sal tem um ponto pouco lembrado: O governo vendeu a ilusão, que a renda da exploração do pré-sal vai resolver todos os problemas brasileiros. Primeiro, ele só começará ser explorado a partir de 2018. Ninguém falou ainda, quanto vai custar para extrair cada barril de petróleo. Mas, ninguém nega, que extrair petróleo depositado a 6 mil metros de profundidade vai sair caro. Aí vem a grande questão: A Petrobrás, atualmente está explorando de águas rasas e nunca conseguiu competir seu preço de custo, com o petróleo explorado pela Rússia, México, Venezuela, Arábia Saudita etc. Agora, começou a ser explorado + óleo extraído do xisto, que será rentável vendido a 30 dólares o barril. Então, como o petróleo a ser extraído no pré-sal vai competir com esse petróleo mais barato? Falando em barril, parece que o Brasil está sentado em cima de um barril de pólvora. Uma hora, ele acaba explodindo. Salve-se, quem puder!
(Colaboração de Antonio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).

Publicado na edição nº 9715, dos dias 5, 6 e 7 julho de 2014.