Compostagem. Uma cadeia autossustentável

Rodrigo Toler

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Anualmente, o Brasil produz cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos. Contudo, segundo a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento, apenas 1% dos resíduos orgânicos, como restos de alimentos e podas de árvores, são reaproveitados. Ou seja, boa parte do volume destinado a aterros poderia ser compostado, gerando uma enorme economia para o Estado, para o meio ambiente e, principalmente, para a sociedade.

A compostagem é um processo natural de decomposição de matéria orgânica, que resulta em um material rico em nutrientes, conhecido como composto, com enorme importância para a agenda ESG.

No pilar ambiental, compostagem reduz a emissão de gases de efeito estufa, como metano e dióxido de carbono, que são liberados durante a decomposição dos resíduos em aterros, diminui a dependência de fertilizantes químicos, que podem contaminar o solo e a água e, sendo assim, contribui para a conservação dos recursos naturais e para a mitigação das mudanças climáticas.

No aspecto social, a compostagem pode gerar benefícios educacionais e comunitários. A implementação de programas de compostagem em escolas, comunidades e empresas aumenta a conscientização sobre a gestão sustentável dos resíduos e a importância da reciclagem. Essas iniciativas também podem promover a colaboração e o engajamento comunitário, fortalecendo os laços sociais e incentivando práticas de cidadania ativa. A compostagem ainda pode criar oportunidades econômicas, como a comercialização do composto e a geração de empregos verdes.

No eixo de governança, as empresas devem se estruturar para serem bem administradas por meio de processos transparentes, imparciais e mecanismos de responsabilização. A sociedade anseia em estabelecer relações com empresas que transmitam caráter e sustentem valores perenes.

A adoção de práticas de compostagem pode ser um indicador de responsabilidade corporativa e de comprometimento com a sustentabilidade. As empresas devem estabelecer políticas que reflitam esse compromisso com a gestão eficiente, transmitindo seus valores, atraindo investidores conscientes e atendendo às expectativas de stakeholders cada vez mais preocupados com a sustentabilidade.

(Colaboração de Rodrigo Toler, advogado de Privacidade e Proteção de Dados no Opice Blum, Bruno Advogados. Mestre em Direito, Tecnologia e Desenvolvimento pelo IDP. Email: [email protected]).

Publicado na edição 10.846, de quinta a quarta-feira, 30 de maio a 5 de junho de 2024