Crise mais profunda que o pré-sal

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A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou requerimento/convite para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró preste esclarecimentos sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), pela estatal. Na Câmara dos Deputados e no Senado Federal correm listas para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás.
Cenário inimaginável há quatro anos, quando o País, em clima pré-eleitoral, e o então presidente Lula (PT) lançava a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, espécie de gerentona do governo federal, na luta pelo poder do Palácio do Planalto. Tudo turbinado pela euforia da descoberta das jazidas de petróleo no pré-sal.
Basta rápida pesquisa em 2010, para descobrir que mesmo na oposição, ninguém tinha coragem de comentar sobre a viabilidade da prospecção do ouro negro nas profundezas do mar e nem sobre a saúde financeira da maior estatal brasileira.
Não existiria a Venezuela de Hugo Chávez sem a exploração do “Petróleos de Venezuela” (PDVSA), conhecida Pedevesa, para bancar arroubos políticos e programas sociais, sem lastro financeiro, com puro interesse de permanência no poder. O resultado é o herdeiro político Nicolás Maduro, sem sequer 5% do carisma de seu antecessor, porém, com 100% da truculência do falecido presidente.
No Brasil, é exagero dizer que a Petrobrás foi usada no mesmo grau da PDVSA, mas é correto afirmar que a estatal foi exageradamente usada politicamente para eleger Dilma Rousseff. Embrigada pelos altos índices de aceitação, a presidente negligenciou o jogo de cintura com o Congresso Nacional, além de atualmente, o PMDB, de seu vice, Michel Temer, agir como divorciado que mora na mesma casa, mas já não há resquícios de união, apenas aparências.
Precisa-se investigar o que de fato acontece na caixa preta da Petrobrás. Aos poucos, a cada dia, submerge do óleo escuro, novas revelações do conto do vigário que foi a Usina Petrolifera de Pasadena (EUA).
Porém, com rebaixamento da nota financeira do Brasil, por agências financeiras, a investigação deve ser feita, sem aumentar o já alto grau de desconfiança econômica. Se for descoberta ingerência, basta tornar públicos os fatos que a população saberá substituir nas urnas.

Publicado na edição nº 9676, dos dias 29, 30 e 31 de março de 2014.