

Falar e escrever da política do Brasil é tarefa arriscada, pois o que é dito hoje, poderá não valer amanhã.
Nestas horas, lembro-me do que disse o astucioso político mineiro, Benedito Valadares, quando governador de seu Estado (1933-1945): “Política é igual nuvem. Cada vez que olha está de um jeito”.
A dificuldade em escrever sobre a política nacional acomete até mesmo tarimbados jornalistas. No dia 03/08/26, o jornal Valor Econômico, publicou a coluna do Bruno Carazza, que logo no primeiro parágrafo, alertou os leitores de que estava com alta dose de “Wishful Thinking” (sonhando acordado), que poderia contaminar a análise dos fatos políticos, seu objetivo.
Apesar destas circunstâncias, vou correr o risco de trazer aos leitores da Gazeta informes que, há tempos, venho recolhendo nas minhas leituras e nas observações do contexto político.
Definições: O Minidicionário Aurelio da Língua Portuguesa, traz:
- Política, sf: arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos;
- Politicagem, sf: política mesquinha, estreita.
Na prática do dia a dia, nem sempre é possível distinguir um significado do outro, pois dependem do ambiente, da forma e por quem estejam sendo usados.
Por tradição, os eleitores brasileiros têm dado maior atenção, com o seu voto, aos candidatos dos poderes executivos. No nível municipal, o Prefeito; no estadual, o Governador e no federal, o Presidente da República, em detrimento aos vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores.
Uma antiga teoria aventa a possibilidade de ser o comportamento dos eleitores brasileiros um resquício dos tempos coloniais, em que o rei, inicialmente de Portugal e posteriormente do Brasil, reunia em si todos os poderes e centralizava as decisões.
Ao considerar vereadores, deputados e senadores como poder menor, o eleitor traz consequências graves aos Municípios, ao Estado e ao País.
A primeira delas é o desestimulo às pessoas de bem, que gostariam de participar do processo político, mas não percebem espaço e ambiente para trabalhar por suas crenças.
Uma segunda situação prejudicial acontece quando o eleitor terceiriza seu voto, para agradar familiares ou vizinhos ou amigos ou quando faz de seu voto uma moeda de troca, para quitar favores recebidos ou a receber.
Uma terceira e importante questão foi levantada pelo Professor de Filosofia da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Denis Lerrer Rosenfield, no artigo “Difícil Moralidade”, publicado pelo jornal O Estado de SP em 10/08/2026, em que faz detalhada análise dos candidatos à Presidência da República, nas próximas eleições.
Para facilitar o entendimento dos leitores da Gazeta, transcrevo na integra a conclusão a que chegou o Professor: “A sociedade brasileira acha-se, por assim dizer, anestesiada, congelada em termos de ética na política. Vive-se uma descrença generalizada na classe política, que mais se preocupa consigo do que com os destinos do País. O Brasil corre um sério risco de enfraquecimento de suas instituições e a complacência com questões morais por parte dos eleitores, cobrará o seu preço”.
Deste conjunto de fatos e situações resulta que, de um lado, a cada eleição aumentam as abstenções, os votos em branco e os votos nulos e de outro lado, a legislatura atual é a pior dos últimos tempos, segundo vários analistas.
A cada eleição, o Brasil perde mais uma oportunidade de inovar, melhorar e progredir e assim seguimos na marcha da mediocridade, distanciando-nos à cada dia mais, dos países líderes do planeta.
Cultura geral
- A propósito do político Benedito Valadares, diz a história que foi dele a criação da expressão “será o benedito?!”.
- Um exemplo clássico do absolutismo dos reis da época, foi Luís XIV, rei da França, (1643-1715) chamado Rei Sol, que definiu: “l’Etat c’est moi” (o Estado sou eu).
Está na Bíblia
Provérbios 10:19 Quando as palavras são muitas, a transgressão é inevitável. Mas quem controla a língua age com prudência.
(Colaboração de José Mário Paro, produtor rural).
Publicado na edição 11.029, sábado a terça-feira, 29 de agosto a1º de setembro de 2026 – Ano 102




