Das entrelinhas da Política

José Mario Paro

0
22
José Mário Paro como articulista da Gazeta de Bebedouro com o artigo “Dos velhos e dos antigos”, marcando o início de sua participação mensal aos leitores da Gazeta.Foto: Gazeta.

Nem sempre é fácil preparar um texto para ser publicado pela Gazeta.

Assuntos não faltam mas, sempre que possível, o texto publicado deve guardar sintonia com o momento, com os fatos que estejam chamando a atenção da população. No nosso caso, do município, do estado e do país, onde em todos os veículos de comunicação só se fala de Política.

 

A boa política manda que os candidatos à Presidência da República devem divulgar seus planos de governo, caso sejam eleitos. Como até agora não se viu nada disto, só restou mesmo a politicagem.

E aqui está outra dificuldade para quem escreve: como tratar de assuntos que todos conhecem?

 

É conhecido que a maioria dos brasileiros gosta das manchetes, do espetáculo. Se for um bom escândalo, como agora não falta, melhor ainda.

E como os jornalistas sabem disto, capricham nas manchetes e forma-se então, um círculo vicioso que quase não deixa espaço para mais nada.

Está neste quase, onde estão as entrelinhas da política, o espaço que aproveito. São matérias publicadas pelos grandes jornais, da página três em diante. Longos, em letras miúdas, tediosas que só mesmo os aficionados leem.

 

Venho agora trazer aos leitores, trechos do que escreveram estes articulistas.

Eliana Cantanhêde escreveu para o Estadão do dia 27/09 que a campanha eleitoral vai chegando ao fim amorfa, sem alegrias, sem bandeiras, sem cartazes nos veículos, revelando o sentimento geral da nação, de revolta, de indignação e de impotência por não conseguir mudar tudo o que aí está.

Cantanhêde escreve ainda que, dolorosamente, não será eleito para Presidente o melhor candidato, mas o “menos pior”.

 

Também no Estadão de 27/09, Fernando Schüler escreve que no Brasil  alastrou-se uma espécie de direito líquido, que oscila ao sabor da política.

 

Ainda no Estadão do mesmo dia 27, Gustavo H. B. Franco, em artigo intitulado “A Dívida e a Coisa Pública”, escreveu que a dívida pública do Brasil, que é o montante total de recursos que o estado brasileiro deve para credores externos e internos mais os empréstimos tomados pelos brasileiros, de toda ordem, somam R$ 13.89 trilhões, que causam o débito de R$ 65.200 a cada um dos 213 milhões de habitantes do Brasil. Significa que ao nascer o brasileiro já deve este valor.

 

Josué de Souza Martins, sociólogo, escreveu no Valor Econômico de 25/09, que o Brasil inventou o capitalismo anticapitalista, onde o lucro privado baseia-se no prejuízo coletivo.

 

Em entrevista à CNN, no dia 26/09, três grandes economistas e intelectuais brasileiros, afirmaram que o nosso sistema de governo (executivo, legislativo e judiciário) está na UTI, mas que ainda continuará vivo porque os agentes da renovação ainda não conseguiram ter forças suficientes para desalojá-los do poder.

 

Disseram também que a renovação virá, mas como não temos vocação para revoluções, a renovação será feita também com os atores da atual política, que é mais ou menos como trocar o pneu com o veículo andando.

 

Há algum tempo, um grupo de empresários do setor financeiro afirmou que não existe a menor possibilidade de termos um bom governo nos próximos quatro anos, ganhe quem ganhar. E que, portanto, tanto faz como tanto fez.

Completaram dizendo que o Brasil só irá melhorar a partir de 2030.

 

Prezado leitor, eu poderia seguir nesta toada, mas acho que não vale a pena, pois o pessimismo está entranhado na nação brasileira.

 

Pessoalmente, como costumeiro leitor, poderia estar também pessimista e desalentado com o próximo governo. Mas para ficar em paz comigo mesmo resolvi adotar o antigo ditado de “deixar como esta para ver como fica”.

 

(Colaboração de José Mário Paro, produtor rural).

Publicado na edição 11.036, quarta e quinta-feira, 30 de setembro e 1º de outubro de 2026 – Ano 102