Das histórias do Brasil

José Mario Paro

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Novo integrante - José Mário Paro estreia como articulista da Gazeta de Bebedouro com o artigo “Dos velhos e dos antigos”, marcando o início de sua participação mensal aos leitores da Gazeta.Foto: Gazeta.

No meu último artigo publicado pela Gazeta em 28/03/26, informei que para a edição de hoje, 25/04, o tema seria a Bandeira Nacional. Todavia, como estou planejando trazer aos leitores vários aspectos do nosso país, sendo a Bandeira Nacional um deles, pareceu-me melhor iniciar esta serie com o Brasil por inteiro. Darei sequência intercalando com textos de outros assuntos.

 

Tenho em meu escritório o mapa Político-Regional-Rodoviário e Estatístico – edição 2025, do Brasil (115cm x 85cm), colocado em posição de destaque. Ter este mapa à mão é sempre bom, visto que sou estudioso da Geografia e da História do Brasil.

 

O Brasil é um colosso, um portento, que vai da foz do rio Oiapoque, no extremo norte do Amapá, à foz do Arroio Chuí, no extremo sul do Rio Grande do Sul; das praias da Paraíba, no extremo leste, à divisa do Acre com a Colômbia, no extremo oeste, somando 8.515.767 km² (1), que o coloca como o quinto maior país do Globo, em tamanho, atrás da Rússia, Canadá, EUA e China.

Se considerado apenas o continente americano, o Brasil é o terceiro maior, vindo depois do Canadá e EUA.

 

Pode-se perguntar como o Brasil conseguiu manter-se indiviso, apesar das revoltas e revoluções internas e de ter sido invadido pelos franceses e holandeses, numa época em que o mundo se fragmentava?

 

Em primeiro lugar, a Coroa Portuguesa sempre manteve presença permanente na sua principal colônia e, segundo alguns historiadores, seu sustentáculo, tendo sido os franceses e os holandeses repelidos e suas possessões retomadas.

 

Em segundo lugar, a Igreja Católica, presente em todo o território, teria tido papel importante na manutenção da integridade territorial do Brasil. Embora provável e lógica, não consegui atualizar esta informação.

 

A população atual do Brasil, informa o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é de quase 213 milhões de habitantes, relativamente pouca dada a dimensão do Brasil.

Uma boa referência são os EUA, que embora não sendo tão maiores, têm mais de 300 milhões de habitantes.

 

 

Das riquezas do Brasil

 

O Brasil e seu povo pouco se beneficiaram dos primeiros ciclos econômicos: pau-brasil/ouro/açúcar, ainda no período colonial e também do café, nos seus primeiros tempos: tudo foi exportado para a Europa.

 

Todavia, sempre houve parcela da população brasileira, minoria, que se beneficiou destas riquezas, enquanto para a maioria da população, os benefícios não chegaram.

Guardadas as devidas proporções, esta situação persiste até hoje, de sorte que desde sempre tivemos a maioria da população alheia às riquezas e seus benefícios e, por conseguinte, sem nenhuma razão para amar e falar bem do Brasil, constituindo-se em massa de manobra para os oportunistas e populistas de plantão, dos quais o Brasil é pródigo.

 

Pessoalmente, acredito que esta maioria esteja cobrando seu preço, pois enquanto não tiver suas necessidades primárias atendidas (saúde, educação e segurança) e ser produtiva, podendo gozar seus benefícios, continuará sendo peso enorme a ser carregado por aqueles brasileiros que pagam seus impostos.

Mas enquanto há vida, há esperança e é importante reconhecer que, geração após geração de brasileiros, sempre houve aqueles mais cultos, mais bem informados, talvez idealistas, que se preocuparam e se preocupam com o país e seu povo, procurando sempre aproveitar as oportunidades que a vida lhes deu/dá para fazer o bem ao próximo.

 

E agora, o último registro deste texto: os intelectuais brasileiros sempre registraram sua presença entre nós, seja por seus livros, suas teses, seus poemas ou suas músicas.

Sempre estive atento àqueles que, por uma frase de efeito ou uma declaração cheia de significado, deram sua contribuição ao país.

A seguir, cito algumas destas situações, ao acaso, que fui recolhendo pelas minhas andanças pelo país e pelos meus livros.

 

  • Minha terra tem palmeiras/ onde canta o sabiá/as aves que aqui gorjeiam/não gorjeiam como lá;
  • Porque me ufano do meu Brasil;
  • O brasileiro quer ser aristocrata;
  • Pobre gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual;
  • Criança estuda. Adulto trabalha. Idoso não faz nada;
  • Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim;
  • Política é igual nuvem. Cada vez que olha está de um jeito;
  • O brasileiro tem complexo de vira-lata. Tudo que é de fora é melhor.
  • Mudar para jamais sair do lugar;
  • No Brasil até o passado é instável;
  • Brasil: ame-o ou deixe-o; (ou O último a sair apague a luz do aeroporto).
  • O Brasil talvez seja mesmo difícil de descrever, algo que se movimenta muito, mas não sai do lugar.

 

É oportuno analisar o verdadeiro sentido destas frases. Num primeiro olhar, pode-se concluir que eu tive a intenção de escolher apenas as críticas ao Brasil. Acontece que sei quem são os autores e posso dizer que pertencem à nossa intelectualidade e sempre lutaram pelo Brasil.

O sentido crítico foi intencional, para nos provocar, nos manter alertas e nos motivar a assumir nossa parcela de responsabilidade para o bem de todos.

 

Está na Bíblia: Matheus 6:14 “Pois, se vocês perdoarem aos homens as falhas deles, o seu Pai celestial também perdoará vocês”.

 

(1): a superfície de um km² corresponde a 100 hectares ou 100 quarteirões regulares (100 metros x 100 metros).

 

(Colaboração de José Mario Paro, produtor rural).

Publicado na edição 11.001 sábado a quinta-feira, 25 a 30 de abril de 2026 – Ano 101