Democracia e violência

Geninho Zuliani

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Pedido de vacina – Segundo Geninho Zuliani, inserção do imunizante contra varíola dos macacos no calendário visa ação rápida para evitar surtos.

Não podemos mais, em cenário algum, seja ele político ou de qualquer natureza onde se faça presente e muitas vezes necessária a coexistência de posições contrárias, permitir casos de intolerância, ódio ou violência. Vidas já estão sendo perdidas por defesas de ideologias, e isso é inaceitável numa democracia como a nossa. E o debate sobre essa questão é urgente, pois estamos a caminho de novas eleições.

O homicídio registrado no Paraná, no último fim de semana, em que um policial penal federal trocou tiros e matou um guarda municipal na sua festa de aniversário motivado por posições políticas contrárias, foi um caso extremo que, infelizmente, pode voltar a se repetir pelo Brasil nos próximos meses.

O confronto de ideias e a defesa de opiniões fazem parte de um estado democrático de Direito. Mas os posicionamentos políticos contrários devem ser respeitados, na esfera da diplomacia, nunca da violência. Sem fazer alusões aqui à direita, à esquerda ou ao centro, mas à vida.

A pouco menos de três meses das eleições, o cenário é grave. Pesquisa recém-publicada pelo Instituto Locomotiva deixa claro quão iminente é o risco de novos crimes ou casos extremos de violência tornar a ocorrer no Brasil.

Uma constatação que assusta e eleva a sensação de apreensão é de que sete em cada 10 pessoas com opiniões políticas diferentes não dialogam bem no País. A pesquisa revela ainda que 32% das pessoas que estão em extremos ideológicos são “altamente intolerantes”, politicamente falando.

Penso que o diálogo e a tolerância, independentemente dos motivos, devem imperar em qualquer ocasião. É preciso que as opiniões diversas sejam respeitadas, violência só realmente acarreta mais violência. Adversários políticos, militantes de movimentos sociais, enfim, a sociedade de forma geral, ou em qualquer nicho, não são e não devem ser inimigos, o diálogo é nossa baliza de civilidade.

Como líder político, tomo para mim a responsabilidade de disseminar entre meus apoiadores e também não apoiadores que a indulgência deve ser a palavra de ordem, e não a violência. Precisamos exercitar a cidadania, a condescendência. Agir com responsabilidade, conduzindo conversas e até discussões de forma sensata, sem extremos, sem deixar que as polarizações que são normais em qualquer setor sejam levadas a cabo, como no Paraná.

Diferentes ideologias, sejam políticas ou partidárias, que culminem em atos pavorosos como o de Foz Iguaçu, maculam não apenas as vidas das vítimas e familiares ligados ao caso, mas também nossa própria democracia, o direito de expressão e a liberdade de crenças.

Repudio qualquer ato de agressividade. Defendo um pacto contra a intolerância. Ter convicção política é necessário em um ambiente democrático, e a defesa de opiniões político-partidárias, um direito garantido por lei. Mas a paz para que o embate das opiniões contrárias transcorra de forma respeitosa e republicana é inegociável.

(Colaboração de Geninho Zuliani, deputado federal pelo União Brasil/SP)

Publicado na edição 10.683, sábado a terça-feira, 16 a 19 de julho de 2022.