Dona Noêmia era feliz e sabia

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Quem foi Quito Stamato, Francisco Martins Alvarez e Conrado Caldeira? Pergunte para Dona Noêmia Caetano do Amaral. Com seus 95 anos bem vividos e bem lembrados, ela conta com detalhes como era Bebedouro, na primeira metade do século XX. Sábia, ela opina qual deve ser o papel de um prefeito junto à comunidade.

Riqueza – Com sorriso e simpatia, ela recorda com emoção da história política da cidade.

Gazeta de Bebedouro – Como era seu pai?
Noêmia – Tenho muito orgulho de dizer que meu pai era carroceiro e trabalhava no transporte de passageiros que chegavam na antiga Estação Ferroviária. Carregava a mala das pessoas. E com este dinheiro, ele criou 14 filhos. Nunca precisou ir a postinho de saúde para pedir doação de litro de leite. Minha mãe era dona de casa. E que mãe ela era…

GB – E como ela conseguiu criar 14 filhos?
Noêmia – Ela não tinha filho com roupa rasgada e nem suja. Ninguém passava fome. E ela não gritava e nem xingava os filhos, como vejo estas mães de hoje em dia, fazer. Todo mundo sabia da sua obrigação. E eu tinha dez irmãos homens e éramos quatro mulheres.

GB – Como foi crescer em uma família tão grande?
Noêmia – Éramos todos educados e quietos. Nunca tivemos brigas. Meu lar era de paz e muito cristão. Quando uma criança nasce em lar cristão tudo pode dar certo. Porque o pai e mãe dão exemplo.

GB – Como era Bebedouro no tempo de sua infância?
Noêmia – Nossa, parecia uma fazenda (risos). Tinham muitas casas, longe uma da outra. Muitos terrenos baldios. Ainda existem casas antigas do meu tempo de criança. A escola Abílio Manoel está do mesmo jeito que era na época de minha infância. Eu e todos meus irmãos estudamos lá. Aquela casa que fica na esquina das ruas Conrado Caldeira e Tobias Limas também é antiga. Há outra casa antiga, na esquina entre as ruas XV de novembro e Antonio Alves de Toledo, também é bem antiga.

GB – E como foi sua infância?
Noêmia – Brinquei muito de boneca de pano. Fui ganhar uma boneca de feltro, muito bonitinha, quando já era grandinha. Foi dada por um tio que morava fora. Quando ele veio nos visitar, me viu brincando com uma boneca de pano, foi lá e comprou uma boneca bem bonitinha de feltro. Tive infância muito gostosa. Brinquei demais. Nunca fui arteira. Sempre esperta, italianinha (risos). Tinha sardas no rosto. Na escola, tinha uma menina que quando brigava comigo, dizia que eu era uma banana nanica por ser magra e sardenta.

(…)

Leia mais na edição n° 9573, dos dias 20, 21 e 22 de julho de 2013.