Exercitai-vos, ó humanos!

José Renato Nalini

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A humanidade está num momento gravíssimo. O último relatório do setor encarregado pela ONU de acompanhar a mudança climática resultante do aquecimento global é aterrorizante. Países que têm juízo resolveram acelerar as práticas emergenciais, antes que seja tarde. Outros, ora, os outros continuam céticos. Ou ignorantes. Ou ambos!

Há várias décadas, o filósofo Jean Baudrillard (1929-2007) já advertia: “Em nosso universo apodrecido pela metalinguagem da felicidade, os mínimos sinais de desgraça são sinais de esperança. Assim, frente aos sinais de aquecimento do planeta e do desaparecimento do inverno, aguardamos desde já a irrupção salutar do frio. O imaginário do frio (do Antártico, do congelamento, da criogeneização dietética e frigidez pós-modernas, austeridade “cool”) cresce em todas as partes, em relação à tropicalização dos climas e dos costumes”.

Sim, a tropicalização é paralela. Esquenta o mundo, ferve a irrefreada vontade de gozar a vida, com evidentes abusos em áreas sensíveis como a sexualidade, a sensualidade, a velocidade, o consumo de substâncias que, embora lícitas, são prejudiciais à higidez física e mental.

O que fazer?

No âmbito universal, é difícil obter um consenso que resultaria da conversão da humanidade para verdades eternas e esquecidas. A sabedoria grega do “nada em excesso”, o “conhece-te a ti mesmo”, o “só sei que nada sei”. Mas no âmbito pessoal, meramente individual, há uma receita promissora. É a caminhada. Quem anda a pé por apenas dez minutos a cada dia, cinco dias por semana, verá que sua existência pode se tornar mais saudável e auspiciosa. Há pelo menos dez benefícios decorrentes da caminhada, algo que parece ter crescido na pandemia. Infelizmente, não por apreço à boa forma física, mas por economia. A condução coletiva está muito cara para quem está sem emprego ou subempregado.

Mas vamos aos dez benefícios: 1. Reduz a depressão, o estresse, as síndromes que se multiplicam em nossos tempos; 2. Ajuda a emagrecer, sem a necessidade de ingestão de remédios; 3. Previne a osteoartrite; 4. Tonifica o corpo inteiro; 5. Aumenta a interação social, pois é provável que se conheça outras pessoas no trajeto, com as quais se pode estabelecer um diálogo; 6. Previne e controla a diabete; 7. Quebra a monotonia da rotina; 8. Protege a mente contra a demência; 9. Ajuda a se conectar com a natureza; 10. Diminui a pressão arterial e o colesterol.

Além disso, é muito divertido. Você já caminha? Vamos começar?

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia paulista de letras – gestão 2021 – 2022).

Publicado na edição 10.615, de 6 a 8 de outubro de 2021.